domingo, 24 de outubro de 2010

behind green eyes.

E por alguns segundos enquando ele falava comigo, segurou meus cabelos e acariciou com cuidado. Infelizmente não pude ver a expressão de seu olhar com clareza. As lentes dos óculos de grau que usava atrapalhavam, e o dia estava começando a escurecer. Sorriu discretamente, fazendo com que eu sorrisse também.
As palavras são sempre trocadas rapidamente e o tempo vai se tornando cada dia mais curto para encontrar qualquer assunto que leve à algum lugar, mas as semelhanças aparecem de tal forma que não consigo não pensar em como é lindo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Smilling... but inside i'm dying

Can't help but think of the times I've had with you...
Pictures and some memories will have to help me through.


Os sorrisos escondem a mágoa que cresce a cada dia dentro de mim. Vão apagando os vestígios do que tantos pensam que já se apagou. Mas não vai embora o sentimento que fiz crescer ao longo dos dias, não deixa meu corpo e minha mente em paz nem um segundo sequer. Tentei sair em busca de outros corpos, outros olhares. Mas nada nesse mundo se compara ao que senti quando por alguns minutos o que eu mais desejei foi meu. Qualquer outra pessoa tornou-se pequena demais perto do que idealizo. Qualquer outro rosto não é nada além de um rosto se comparado aquele.
Talvez por isso eu tenha me tornado tão vazia. Talvez por isso eu sequer espere alguém. O tempo me ensinou a ser sozinha, a não esperar recíprocidade em caso algum. Toda e qualquer dor que eu sinta se esconde atrás dos meus sorrisos. Eles vão fazendo com que o tempo leve embora de minhas feições toda a dor que insisto em sentir, e ao mesmo tempo, levam tudo de bom que eu possa vir a encontrar. Estou presa no passado. Só quero sentir os mesmos lábios, o mesmo corpo, ouvir os mesmos sussurros incansáveis, esperando pela minha indiferença.
Os sorrisos sempre escondem tudo. Sempre. Me escondem de mim mesma, do que eu deveria ser. Me afastam de qualquer coisa que me traga prazer.
Mas continuarei assim, sorrindo em vão. Esperando que os dias melhorem e que as memórias se apaguem. Os sorrisos escondem tudo de todos. Só não conseguem me esconder de mim mesma, do meu próprio ser.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

The unforgiven.

Doces, doces olhares. Penetravam em seus olhos e acendiam o sorriso que carregava no rosto. Foi deixando para trás as lembranças, a vontade de viver... E permanece assim, sozinho. Ele por ele, enquanto as horas passam, o cigarro vai queimando entre seus dedos. Deseja te-la uma vez mais, mesmo sabendo que não será possível. Ela o deixou, embora ainda leve consigo todas as lembranças.
O tempo foi passando e ele esqueceu de viver. Mas a ecolha foi dele próprio. Decidiu isso no momento em que virou as costas. Está sempre fugindo do que lhe faz bem, e sabe disso. Não consegue estender as mãos na direção daquela que ama, tem medo de machucá-la novamente. E prefere não mais sorrir. Não deseja mais nada, nem mesmo respirar.
Desistiu dos sonhos e das ilusões. Desistiu de tudo. Tornando-se uma pessoa vazia e sem brilho.
Queima então as folhas velhas, com a esperança de que se queimem juntos seus devaneios. Mas continuam todos ali, cutucando. As imagens surgindo em preto e branco, lembranças de um passado bom, do tempo em que ainda sabia sorrir. Seus dentes tornaram-se amarelados por causa do café, e suas expressões foram se definhando cada dia mais. Em breve já não terá expressão alguma, nem mesmo de tristeza.
Ah, como ela queria poder ajudá-lo. Mas não se pode salvar uma pessoa que não quer salvar a si própria. Nem mesmo seus cabelos macios e seus olhos castanhos permaneceram bonitos. Todo e qualquer vestígio de vida naquele ser se apagou.


What I've felt, what I've known, never shined through in what I've shown. Never be, never see won't see what might have been. What I've felt, what I've known, never shined through in what I've shown. Never free, never me...So I dub the unforgiven.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Saudade.

Sigo então remoendo as palavras. Parace que as frases prontas e as desilusões perseguem. O brilho das únicas que me acalentavam se apagou. O dia chuvoso leva embora as minhas estrelinhas. Cada uma com seu brilho único, iluminando os meus olhos e o vestígio de alegria que há em mim. Então sem estrelas eu nada sou. Se nem em sua presença pareço grande coisa, quem dirá sem elas!
Vivo pra dizer que sinto falta. Paixão fervorosa por sentir falta das coisas. Coisas pequenas, quase invisíveis, que já deviam ter ido embora da memória antes mesmo de eu me lembrar que existiram.

domingo, 19 de setembro de 2010

Recíproca.

Disse que precisava de um tempo, virou as costas e saiu, batendo a porta. Sentei no canto do tapete empoeirado e acendi um cigarro. A cortina estava entreaberta, enquanto as palavras ecoavam em minha cabeça, eu sentia o sol que passava pela pequena fresta. Os carros lá embaixo, as pessoas cruzando a rua correndo. Todas pareciam tão felizes com a mesmice de sua vida. E as palavras ainda ecoando...Infelizmente a recíproca não era verdadeira.
Da última vez que ele fez isso, voltou cinco minutos depois. Mas já haviam se passado dez, e a porta ainda estava fechada. Sentia medo de trancá-la. E se ele resolvesse voltar no meio da noite? A chave dele estava jogada no chão perto do meu pé. Ah, como eu adoro me iludir. Ele não iria voltar mais.
Daquela vez havia sido diferente. Eu via a angústia nos olhos dele gritando comigo. Repetia e repetia "Não adianta insistir numa coisa que não dá!", enquanto eu repetia que o amava. Cada vez que eu falava ele ficava mais nervoso, decidi me calar e ficar olhando para seu rosto. Erro meu. A expressão odiosa não saiu mais da minha cabeça. E é claro, meus olhos foram ficando úmidos novamente.
Ele havia mentido que precisava de mim. Até seus olhos me enganaram desta vez. Não queria deixar ele sair, queria abraçá-lo e entender o que estava acontecendo. Ele me empurrou e tornou a gritar. Tapei os ouvidos com as mãos e mandei ele ir embora, se era o que tanto desejava. Voltando então as palavras ja citadas, a porta se bateu.
E talvez tenha sido melhor mesmo, talvez eu prefira ficar sozinha do que enganando a mim mesma. Palavras vazias eu dispenso.

i like the way it hurts

Ainda ouço tuas palavras distantes, e a tua respiração ofegante no meu pescoço. Quisera eu poder esquecer do teu olhar, maldito olhar. Tão devastador quanto a influência que tuas palavras tem sobre mim, tão devastador quanto o teu próprio ser.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A guerra dos sexos. (Crônica de Português)

Significado de preconceito de acordo com o dicionário:"Forma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado. O preconceito existe em relação a quase tudo e varia em intensidade da distorção moderada a um erro total."

Sim, eu cito o preconceito porque todo e qualquer tipo de atrito entre os sexos vem daí. Todos vivem batendo em uma mesma tecla de 'mundo moderno', século XXI e "as coisas não são mais como eram antigamente", mas na verdade, no subconsciente continua tudo quase igual. Tanto as mulheres quanto os homens continuam com a mesma visão que tem do sexo oposto. Homem que pega várias é o cara, mulher que pega muitos é galinha. Homens são todos mentirosos, traidores e precisam ter voz mais ativa no relacionamento. Mulheres devem ser submissas, casar e ter filhos para atingirem a felicidade plena.
Pode ter acontecido uma grande mudança na forma de pensar, mas o que percebo tantas vezes é que no final das contas sempre voltamos a estaca zero. Hoje em dia o que muitos não perceberam ainda, é que as mulheres estão bastante masculinizadas, e eu digo isso no sentido de decisões que tomam em relação a seus parceiros. Muitas já não querem mais aquela vida clichê de casar e ter filhos. Muitas já não tem mais a grande necessidade de formar uma família para serem felizes, nem todas desejam apenas um parceiro sexual, nem querem aquele maldito príncipe que nunca chega. Já se conformaram, entenderam finalmente que nem todo livro, novela ou filme retrata o futuro de cada uma.
E quanto aos homens... Bem, os homens também estão se dando conta de que o sexo feminino não é assim tão bobo. Pode parecer que estou me contradizendo em relação ao que disse antes, mas não. Eu digo isso porque, querendo ou não, os dois sexos continuam pensando da mesma forma, mesmo agindo de forma diferente. E eu como mulher, muitas vezes sinto pena de alguns homens pelo fato de eles estarem se perdendo nessa mudança de hábitos que está acontecendo principalmente no sexo feminino.
Tanto as mulheres quanto os homens precisam dar um jeitinho de se render ao novo com cautela, para evitar a geração de conflitos que podem vir a surgir futuramente. As mudanças vão continuar ocorrendo e o que precisamos é saber usufruir com cautela da liberdade de expressão que nos é proporcionada. Homens e mulheres podem sim viver em paz entre si, longe de preconceitos e comentários maldosos que sempre acabam saindo sobre o sexo oposto. Afinal, como todos sabem... Um não vive sem o outro.