quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O abraço.

Olha para mim com aquela cara de bobo e diz que sou malvada. Enquanto isso eu desejo poder tocar no seu cabelo e acariciar incansavelmente. Vai se aproximando pouco à pouco fazendo com que eu sinta seu cheiro. Meus sentidos começam a falhar, e as bobagens saem de minha boca incontrolavelmente. Olho discretamente para a roupa que usa e para o cabelo bagunçado. Encantador.
As caras e bocas me fazem sorrir e perder o foco de qualquer coisa que eu tente pensar além de 'Quero ter você pra mim'. Ah eu quero. Chame de capricho ou do que julgar melhor. Difícil descrever as coisas quando elas são reais e surreais ao mesmo tempo. A junção de realidade com meus sonhos sempre acaba em desastre; mas todos já sabem que sou um desastre ao natural.
No momento em que eu sentir os braços ao redor dos meus, acariciando meu ombro e encostando sua cabeça na minha, eu terei certeza de que eu não sonhei tão longe assim.

When you have a dream you must to follow it!

domingo, 24 de outubro de 2010

behind green eyes.

E por alguns segundos enquando ele falava comigo, segurou meus cabelos e acariciou com cuidado. Infelizmente não pude ver a expressão de seu olhar com clareza. As lentes dos óculos de grau que usava atrapalhavam, e o dia estava começando a escurecer. Sorriu discretamente, fazendo com que eu sorrisse também.
As palavras são sempre trocadas rapidamente e o tempo vai se tornando cada dia mais curto para encontrar qualquer assunto que leve à algum lugar, mas as semelhanças aparecem de tal forma que não consigo não pensar em como é lindo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Smilling... but inside i'm dying

Can't help but think of the times I've had with you...
Pictures and some memories will have to help me through.


Os sorrisos escondem a mágoa que cresce a cada dia dentro de mim. Vão apagando os vestígios do que tantos pensam que já se apagou. Mas não vai embora o sentimento que fiz crescer ao longo dos dias, não deixa meu corpo e minha mente em paz nem um segundo sequer. Tentei sair em busca de outros corpos, outros olhares. Mas nada nesse mundo se compara ao que senti quando por alguns minutos o que eu mais desejei foi meu. Qualquer outra pessoa tornou-se pequena demais perto do que idealizo. Qualquer outro rosto não é nada além de um rosto se comparado aquele.
Talvez por isso eu tenha me tornado tão vazia. Talvez por isso eu sequer espere alguém. O tempo me ensinou a ser sozinha, a não esperar recíprocidade em caso algum. Toda e qualquer dor que eu sinta se esconde atrás dos meus sorrisos. Eles vão fazendo com que o tempo leve embora de minhas feições toda a dor que insisto em sentir, e ao mesmo tempo, levam tudo de bom que eu possa vir a encontrar. Estou presa no passado. Só quero sentir os mesmos lábios, o mesmo corpo, ouvir os mesmos sussurros incansáveis, esperando pela minha indiferença.
Os sorrisos sempre escondem tudo. Sempre. Me escondem de mim mesma, do que eu deveria ser. Me afastam de qualquer coisa que me traga prazer.
Mas continuarei assim, sorrindo em vão. Esperando que os dias melhorem e que as memórias se apaguem. Os sorrisos escondem tudo de todos. Só não conseguem me esconder de mim mesma, do meu próprio ser.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

The unforgiven.

Doces, doces olhares. Penetravam em seus olhos e acendiam o sorriso que carregava no rosto. Foi deixando para trás as lembranças, a vontade de viver... E permanece assim, sozinho. Ele por ele, enquanto as horas passam, o cigarro vai queimando entre seus dedos. Deseja te-la uma vez mais, mesmo sabendo que não será possível. Ela o deixou, embora ainda leve consigo todas as lembranças.
O tempo foi passando e ele esqueceu de viver. Mas a ecolha foi dele próprio. Decidiu isso no momento em que virou as costas. Está sempre fugindo do que lhe faz bem, e sabe disso. Não consegue estender as mãos na direção daquela que ama, tem medo de machucá-la novamente. E prefere não mais sorrir. Não deseja mais nada, nem mesmo respirar.
Desistiu dos sonhos e das ilusões. Desistiu de tudo. Tornando-se uma pessoa vazia e sem brilho.
Queima então as folhas velhas, com a esperança de que se queimem juntos seus devaneios. Mas continuam todos ali, cutucando. As imagens surgindo em preto e branco, lembranças de um passado bom, do tempo em que ainda sabia sorrir. Seus dentes tornaram-se amarelados por causa do café, e suas expressões foram se definhando cada dia mais. Em breve já não terá expressão alguma, nem mesmo de tristeza.
Ah, como ela queria poder ajudá-lo. Mas não se pode salvar uma pessoa que não quer salvar a si própria. Nem mesmo seus cabelos macios e seus olhos castanhos permaneceram bonitos. Todo e qualquer vestígio de vida naquele ser se apagou.


What I've felt, what I've known, never shined through in what I've shown. Never be, never see won't see what might have been. What I've felt, what I've known, never shined through in what I've shown. Never free, never me...So I dub the unforgiven.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Saudade.

Sigo então remoendo as palavras. Parace que as frases prontas e as desilusões perseguem. O brilho das únicas que me acalentavam se apagou. O dia chuvoso leva embora as minhas estrelinhas. Cada uma com seu brilho único, iluminando os meus olhos e o vestígio de alegria que há em mim. Então sem estrelas eu nada sou. Se nem em sua presença pareço grande coisa, quem dirá sem elas!
Vivo pra dizer que sinto falta. Paixão fervorosa por sentir falta das coisas. Coisas pequenas, quase invisíveis, que já deviam ter ido embora da memória antes mesmo de eu me lembrar que existiram.

domingo, 19 de setembro de 2010

Recíproca.

Disse que precisava de um tempo, virou as costas e saiu, batendo a porta. Sentei no canto do tapete empoeirado e acendi um cigarro. A cortina estava entreaberta, enquanto as palavras ecoavam em minha cabeça, eu sentia o sol que passava pela pequena fresta. Os carros lá embaixo, as pessoas cruzando a rua correndo. Todas pareciam tão felizes com a mesmice de sua vida. E as palavras ainda ecoando...Infelizmente a recíproca não era verdadeira.
Da última vez que ele fez isso, voltou cinco minutos depois. Mas já haviam se passado dez, e a porta ainda estava fechada. Sentia medo de trancá-la. E se ele resolvesse voltar no meio da noite? A chave dele estava jogada no chão perto do meu pé. Ah, como eu adoro me iludir. Ele não iria voltar mais.
Daquela vez havia sido diferente. Eu via a angústia nos olhos dele gritando comigo. Repetia e repetia "Não adianta insistir numa coisa que não dá!", enquanto eu repetia que o amava. Cada vez que eu falava ele ficava mais nervoso, decidi me calar e ficar olhando para seu rosto. Erro meu. A expressão odiosa não saiu mais da minha cabeça. E é claro, meus olhos foram ficando úmidos novamente.
Ele havia mentido que precisava de mim. Até seus olhos me enganaram desta vez. Não queria deixar ele sair, queria abraçá-lo e entender o que estava acontecendo. Ele me empurrou e tornou a gritar. Tapei os ouvidos com as mãos e mandei ele ir embora, se era o que tanto desejava. Voltando então as palavras ja citadas, a porta se bateu.
E talvez tenha sido melhor mesmo, talvez eu prefira ficar sozinha do que enganando a mim mesma. Palavras vazias eu dispenso.

i like the way it hurts

Ainda ouço tuas palavras distantes, e a tua respiração ofegante no meu pescoço. Quisera eu poder esquecer do teu olhar, maldito olhar. Tão devastador quanto a influência que tuas palavras tem sobre mim, tão devastador quanto o teu próprio ser.