quarta-feira, 12 de março de 2014

(des) Amor.

Ver o sorriso ir de encontro a outro que não o meu. as mãos entrelaçadas em outros dedos, outras cinturas, outros corpos. o tempo passa e você continua aqui. Eu é que deveria ter seguido em frente, afinal, foi você quem errou. Não deveria doer em mim, mas dói. Estou aqui, presa em mim mesma. Com medo de seguir, medo de acreditar em outras palavras furadas. Você me fez acreditar no amor e como que num piscar de olhos, desacreditar totalmente. É como se nunca mais nada e nem ninguém vá ser capaz de suprir o vazio que eu senti ao me ver só.
Porque a cada vez que eu penso em amor, lembro das velhas palavras "quem fala olhando nos olhos não mente". E isso ecoa tão alto que a música no volume mais alto não me deixa esquecer. Olhava diariamente em meus olhos para declarar seu amor. Amor esse jogado no fundo, bem no fundo onde não há luz alguma. Onde os olhos não veem mas o coração sente. E repudia. Qualquer futura promessa de amor sincero está desacreditada de antemão. Porque só eu sei o quanto custei para aceitar que desacreditar nas suas palavras era o melhor a ser feito.

Com (des)amor, Blue. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Indescritível.

Olho para a folha em branco e uma imensidão de sentimentos surgem ao mesmo tempo. Gostaria de poder escrevê-los, mas é quase impossível. A bagunça aqui dentro é tanta que nem eu consigo entender. Eu quero, eu não quero. Desejo, suspiro, choro, rio. Tudo ao mesmo tempo. Queria voltar aqueles dias em que era segura de mim. Dias onde eu sabia exatamente onde estaria amanhã. Eu não precisava de ninguém para estar feliz. 
Agora, a solidão incomoda. A solidão faz pensar. Preciso estar constantemente procurando distrações. Assisto televisão, durmo, fumo um cigarro, acaricio o gato. Volto a ouvir  o som que ecoa em minha mente. Nem sempre é fácil conviver com ele. É uma voz que grita tão alto que não consigo ignorar. Essa voz me diz pra seguir em frente, depois me diz para voltar. É um turbilhão de sentimentos misturados. 
No fim das contas, era muito mais fácil fingir que nada estava acontecendo. Fingir sempre é mais fácil. Encarar a realidade exige coragem, força de vontade e tempo. Somente ele é capaz de fazer as coisas se ajeitarem. Espero que passe rápido aqui dentro. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Desejo.

Desejo deitar a cabeça no travesseiro e não lembrar. Desejo olhar para trás e ver só as coisas boas. Desejo que a agonia infinita cesse em meu peito. Acordar e dormir de cabeça fria, com os pensamentos em dia. Desejo não precisar pensar. Desejo ouvir as músicas e não lembrar ou associar a alguém. Sentar no banco da praça e tomar um sorvete comigo mesma. Dividir a cama de solteiro apenas com a gata sem sentir falta do aperto.
As vezes desejo até que nunca tivesse existido. Se voltar no tempo fosse possível, arrancaria de dentro de mim as alegrias e não me permitiria ter sido tão feliz para que as coisas fossem levadas embora com o tempo, por uma noite apenas. Desejo esquecer que um dia abri mão da minha felicidade pela sua. Desejo nunca mais ter que lembrar.
Mas eu lembro. Todos os dias. Incansavelmente. Lembro como se esse momento estivesse acontecendo de novo e de novo. Lembro da raiva, da dor, da sensação de que a dedicação nunca foi o suficiente. Lembro também das mentiras. “Quem mente não olha nos olhos”, lembra? Eu lembro. E eu que achava que os olhos nunca mentiam...

Desejo que você morra aqui dentro. Desejo que fique enterrado a sete palmos dos meus pensamentos. Desejo que tenha bons sonhos. Mas apenas por essa noite, por favor... Fique longe dos meus. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Blue vive.

Atualmente tenho sentido uma necessidade imensa de recorrer aos escritos para me sentir viva. O triste é que a vida leva da gente o tempo em que não era necessário se preocupar ele.  Escrever tem sido a única saída para tudo, porque sabe, é a única forma de expressar realmente tudo o que se sente sem deixar para trás sentimento algum, sem que seja preciso que se meçam palavras, sentimentos. Mas o relógio e seu irritante tic tac não tem deixado com que eu coloque para fora essa imensidão de agonias que vem me rondando. 
Estranho, não é? Como o fato de ter um ano a mais ou a menos não faça tanta diferença quando o que está velho e ranzinza é o coração. Este, só não cansa de bater porque ainda tem amor a vida e a alguns poucos e bons companheiros. Uma dose aqui, outra ali... É assim que tenho passado os últimos meses, se é que alguém quer saber. 
Continuem me visitando, queridos e fiéis leitores. Cada comentário que me deixam só me faz ficar com mais vontade de voltar a escrever diariamente. Agradeço o carinho, e principalmente a compreensão dos que aqui voltam vez ou outra para verificar as atualizações.

Que 2013 traga bons textos!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tabuleiro.

Entrega tudo o que tem de mãos beijadas ao desconhecido. Entra no jogo sem saber as regras, só sabe mesmo onde é o início. O final dele sabe-se lá se um dia encontrará. Joga os dados e encontra pelo caminho muitos avisos de "volte para o início". Mas você se boicota. Sempre gostou de fingir que quem ditaria o final da partida seria você. Mas no fundo, bem no fundo só sabe que nada sabe.
Se tivesse bom senso, voltaria mesmo ao início e não recomeçaria a partida. Mas prefere se arriscar mesmo que isso signifique morrer na praia. E é isso o que te torna humano. Arricar mesmo sabendo que pode botar tudo a perder. Você está vivo, e só vai se dar conta disso no momento em que todas as peças do tabuleiro estiverem a sua frente. Mas você é forte, segue em frente sem medo, e desiste ao se sentir fraco.
Que graça teria estar vivo se não fosse por jogar os dados para o alto sem deixar que eles ditassem seu caminho? O primeiro passo para a felicidade é saber a hora de abandonar a partida e começar uma nova. Encontrar novos caminhos inseguros e enfrentar desafios inesperados.
A vida é agora, e desistir de jogar não é vergonha. Ter forças para recomeçar sim, é um mérito. Erga a cabeça e siga em frente, volte para o início quantas vezes achar necessário. Jogue tudo para o alto quando necessário, mas nunca esqueça de recomeçar. É em um desses recomeços que se esconde a sua grande vitória.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Doces sonhos.

Impossível enxergar o céu no dia de hoje. A janela embaçada pelo frio só permite que se imagine a quantidade de corpos que querem se entrelaçar durante a madrugada mas permanecem frios pela distância. Não posso contar estrelas, não posso ver a lua. Mas vem com esse frio o chá quente, a cama repleta de cobertores, uma música baixinha, servindo apenas para tirar das costas o peso de segunda feira, e o mais importante de tudo: aquela foto daquele corpo agora distante, que a pouco tempo atrás aquecia minhas mãos, mas teve de partir até o dia de amanhã,deixando comigo apenas o calor do seu coração. Doces sonhos, sonhos doces.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Madrugada

Acordei atordoada, o vento soprando forte. O relógio marcando 4:37. Olhei pela janela e vi folhas secas voando lá fora. Me aninhei entre os cobertores felpudos e comecei a lembrar. O seu perfume ainda estava em meus cabelos. E então lembrei daquele rosto, vindo sorridente em minha direção. Nunca tinha me sentido tão bem na presença de alguém antes.
As intermináveis conversas que iam noite adentro, sem sentido algum. Espero nunca mais ter que sentir falta delas. Queria que estivesse aqui agora, para celebrar comigo o frio que faz lá fora. E unir o calor dos corpos em um daqueles abraços sinceros.

AXR