sexta-feira, 7 de maio de 2010

Para alguém especial.

As vezes quando eu olho ao redor,nada vejo. As luzes estão apagadas,as paredes claras estão ecuras. Por dentro não é diferente. Mas eu vou te contar uma breve história de alguém que pouco conheço, porém tem estado comigo o suficiente para saber quem é.
Ela parece um livro escrito em uma língua desconhecida. Só os mais sábios podem ler. Sei que descreve-la fisicamente não será válido, mas é que todos os gestos que faz me surpreendem. Tem aqueles cabelos vermelhos, os cachos definidos, e todo esse emaranhado de fios me leva a o seu olhar.
É um olhar frio,e quente também. Se esconde atrás dos olhos escuros que por vezes parecem claros levando em conta suas palavras. Ela luta, ah ela luta por tudo oque deseja. E luta por aquelas coisas que todos acham estranho. Nunca a vi lutar, mas sei que o faz com paixão.
Os olhares que passam por ela são muitas vezes atravessados. É que as pessoas se limitam ao comum. E de comum esta menina nada tem. É alguém que me faz pensar duas vezes antes de repetir para mim mesma que estou sozinha. Escuras por dentro,por fora....talvez porque ninguém tenha se dado ao trabalho de conhecer-nos melhor. Ela é incrivel, se parece comigo em quase tudo. E a sua presença,ah, é o suficiente para tornar meus dias escuros melhores.

"É uma dessas garotas que meche com agente, todas são iguais mas essa é diferente!"
_____________________

Escrevi este para uma grande amiga, companheira de momentos tristes, felizes e estranhos. Minha Pee Wee s2

terça-feira, 4 de maio de 2010

there is no life without you.

Escuro, frio... depois de beber algumas doses de conhaque eu passei a vê-lo ainda mais lindo. Os meus olhos brilhavam quando iam de encontro aos dele. Na verdade, a recíproca do olhar não era verdadeira. Mas era só um olhar. Como bem sabem todos, minha maior fixação são seus olhos. Castanhos, grandes e escuros. Que na calada da noite mais parecem olhos de tigre em busca de sua presa. Infelizmente eu não era a presa. No momento em que o vi eu já sabia que aquele era o fim da festa. Ao menos para mim. O início do fim, tecnicamente a festa havia recém começado, e eu sabia que a noite dali para frente ia ser longa.
Um cumprimento vazio, um gole de sua bebida e nada mais.

domingo, 25 de abril de 2010

Chuva, frio, você.

As gotas começam a cair devagar. Frias. O céu que já estava acinzentado vai escurecendo. Aos poucos, tudo o que posso ver é água. Água,água,água. A chuva molha meus cabelos, minhas roupas... Meus olhos, que já estavam molhados, parecem as poças nas quais piso no chão. O dia está frio. A madrugada também foi fria.
Eu precisava de alguém pra me esquentar,mas não um alguém qualquer. Mas o calor do corpo que me agrada é tão frio quanto as gotas da chuva. As mãos são ásperas e as palavras ainda mais.
Chuva, frio, dormir, cobertores, filme, vinho. Um vinho barato, que seja. Um filme ruim, não me importo. Você. Ah, você... E os suspiros vão ficando cada vez mais profundos (e mais ridículos também).
As tempestades de água trazem consigo as minhas tempestades interiores. As lágrimas que derramo ao saber que o inverno vem chegando e ainda não te tenho aqui. Um casaco e uma manta não são o suficiente. Mas a frieza do teu olhar, essa sim. Essa me aquece de uma forma tão surreal que nem eu mesma consigo acreditar. Ah, estupidez.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Foi embora o meu amor...

Olhava pensativa pela janela. O céu estava claro embora fosse noite. A lua cheia brlhava tão bela quanto nunca. Algo dentro de mim sabia que algo bom ia acontecer. Eu estava sentada na minha velha poltrona xadrez, vendo o café esfriar lentamente. Foi quando a porta se abriu.
- Eu já não disse que não te quero mais aqui? - falei.
- Já disse sim. Pode dizer denovo, não importa o que me seja dito. Eu vou continuar voltando para você.- respondeu.
Olhei para ele por um instante. Seus olhos brilhavam, mas não de alegria. Estavam mesmo é cheios de lágrimas. "Que bela cena!", pensei comigo mesma. Demorou, mas aconteceu. E olha que eu nunca acreditei que fosse possível vê-lo aqui, implorando por mim. Pude perceber o quanto suas mãos tremiam. Por um instante eu quis beijá-lo. Mas as lembranças dos beijos agora tinham um gosto amargo. Havia naquela boca antes tão doce, o sabor da traição. Respirei fundo.
-Guarde para si essas palavras furadas! Fale para alguém que esteja interessado em ouvir. - Eu agora respirava mais devagar, indiferente aos olhares melancólicos.
Está certo que por dentro não era exatamente assim que me sentia, mas ele não precisava saber.
-Eu te amo. Todas as coisas erradas que disse estão me matando agora. Antes de te conhecer eu não sabia quem eu era, mas você me ensinou. - agora ele chorava.
-Me poupe de ouvir essas baboseiras de amor. Eu não te ensinei essa melação toda. Não mesmo. Não te quis nem por um instante. -
Eu sabia muito bem que as palavras que saíam da minha boca não passavam de asneiras, mas precisavam ser ditas. Verdade ou não, era aquilo que eu devia falar.
- E todas as vezes que disse que me amava? E tudo o que sempre escreveu? Não pode ter sido tudo uma mentira.
-Não importa o que eu falei. Como você mesmo disse que aconteceria, me arrependi. Me arrependi de dizer que amo um imbecil. Me arrependi, ponto. Vá embora!
Se ele soubesse que não eram reais minhas palavras, não teria saído por aquela porta. Mas ele foi embora, sem dizer nada.
Virou as costas e saiu, sem deixar vestígio algum. Meus batimentos estavam a mil, eu chorava agoniada. Mas não podia ser diferente. Havia aprendido a viver sem ele, e era assim que deveria ser. Sem ele. Eu me acostumaria um dia. Pela janela, assisti ele atravessar a rua.
Do outro lado da calçada , ele olhou para cima. Um caminhão se aproximava. De um instante para o outro, já não estava mais ali. Meus olhos o perderam. Quando pude ver novamente, lá estava ele. Debaixo do caminhão. Morto.
Seu sangue escorria pela rua, o corpo mutilado, assim como eu estava por dentro. Corri. Quando cheguei lá embaixo, já era tarde. Eu sabia que já era tarde. Chorei, chorei como nunca havia chorado antes em minha vida. Uma sensação estranha percorreu meu corpo. Alívio e culpa ao mesmo tempo.
Foi embora o meu amor... e levou consigo tudo de ruim que havia feito para mim.

sábado, 17 de abril de 2010

Desabafo.

Ligo o rádio, deito. Impaciente, pego o livro que está no criado mudo e começo a ler. Página 58, e eu não lembro nem uma palavra sequer do foi lido. Cada vez que tento me afastar, me aproximo mais. É difícil querer terminar coisas que não começaram, está na lista de 'coisas que só eu consigo fazer'.
Levanto. Bocejando, enxo o copo. Limão, sal.. só pode ser uma tequila!
Ah, agora sim. Meu corpo todo está quente. Sedento pelo seu. Tiro o casaco. Como eu queria ter teu corpo aqui, agora. Só o corpo mesmo, porque o resto já não é necessário. Não há nada aí além de beleza. Bem, depois de mais umas doses, sua beleza basta.
Porque as palavras difíceis não levaram a lugar nenhum, os olhares vazios, menos ainda. Tudo sempre foi nada com você. Simplesmente nada. Estranho como as coisas ficaram bagunçadas e ninguém percebeu. Além de mim, é claro.
Parece uma sina. Me livro de um, vou logo para outro -pior ainda-. Ai que raciocínio burro!
Dizem que agente atraí tudo o que pensa. Já tentei não pensar negativo, mas é difícil. Muito difícil. Já sei... que ladainha mais old school. Que blablabla mais manjado. Guardo pra mim, oras. Azar o de quem perde tempo comigo.
Mais uma dose de tequila. Sozinha em casa, tiro a blusa.
Cada vez mais eu desejo o teu corpo junto do meu.
Outra dose. Cinco minutos depois, mais uma.
Tonta, rindo do nada, respiro fundo. Rio mais. Pode dizer que bebi demais, mas sei do que estou rindo. Só podia ser de mim mesma. Da decadência em que me encontro ultimamente - ultilamente é igual à alguns anos-.
E ainda perco tempo me lamentando com o nada. Me lamentando com uma máquina como se estivesse falando com um espelho.
Desligo o som. Deito novamente. Fecho os olhos. Girando.
Eu não quero mais nada, só desejo não acordar. Ao menos não tão cedo, não enquanto tudo continuar assim, tão errado. Tão igual.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes




quinta-feira, 8 de abril de 2010

Quem sou eu? - Filosofia.

-Tudo bem? - perguntei, como de costume.
-Não muito...
-Mas porque? O que aconteceu?
-Meus olhos estão com calor...
-Com calor?
-É. Aí eles começam a suar.
-Ah... os meus olhos costumam fazer a mesma coisa, quando suam, choram. Eu choro.
Eu choro... Choro por não poder explicar com palavras, nem gestos, nem músicas quem eu sou. Será que eu não sei? Não acho que tentar me explicar seja válido. Sigo com vontade de demonstrar mais vida, e quando eu digo vida me refiro aos sorrisos, e as lágrimas de alegria que saltavam de mim tantas vezes em meu passado. Será que isso se perdeu? Eu mudei tanto assim?
Mudei. Mudei e continuo a mesma. Nem simples, nem complicada. Nada. Uma mistura de tudo um pouco. Um grande e comprido livro cheio de devaneios, emoções, tragédias e mentiras. E muita, muita alegria.
Mas agora, agora é tudo diferente...
É como se eu estivesse sangrando o tempo todo. invisível, mas a dor continua ali. Uma ferida que não cicatriza, não se cura. Dá um aperto aqui dentro ver que o mundo anda e eu continuo aqui, parada. Sempre fazendo a mesma coisa, pensando na mesma pessoa, chorando as mesmas lágrimas. Não exatamente as mesmas, mas não encontro outra forma de explicar.
Poderia me lamentar por muitas coisas, se eu não me lamentasse não seria eu. Engraçado, é difícil eu ficar feliz. Mas o que é ficar feliz? Será que já fiquei feliz?
-Cala a boca, cabeça oca. Pára de falar tantas besteiras!
-Não calo não, eu preciso sair do chão e dar-lhes esta resposta. Eles querem saber quem eu sou.
(Bocejos)
-O que eles querem não importa. Concentre-se em você, ao menos uma vez na vida. Faça isso por você, por nós... e não pelos outros.
-Eu o faria, se calasse a boca.
Essa vozinha irritante dentro de mim persegue. Mas confesso, fico tão monótona sem ela... Às vezes eu queria arrancá-la de mim, mas quem me ajudaria a responder suas perguntas?
Paro para conversar comigo mesma e me esqueço de responder-lhe. Certo, voltarei a tentar.
Tenho olhos castanhos....
-Não esqueça, não se descreva fisicamente. Isso não vai adiantar nada.
-Eu já sei... Mas não fale e me deixe tentar sozinha!
Essa voz não se cala nunca, argh.
Tenho olhos castanhos, na verdade o que importa é que tenho olhos. E olhares. Muitos olhares. E eles dizem muito, muito mesmo quem eu sou. Se com palavras eu não consigo explicar, com olhares sim. Os olhos são a parte mais importante de mim. Expressões faciais, gestos e derivados; consigo inibir a todos, mas não ao meu olhar.
Me entender é tão complicado quanto explicar. Gostaria de me atirar sem medo a qualquer coisa que me aparecesse. Já perdi muito por não tentar. Mas perdi mais ainda tentando.
Não gosto de generalizar, mas sei que o faço sem perceber. Não sou difícil, nem fácil. Só um tanto bagunçada. É preciso ler nas entrelinhas de meus olhos, eles muito lhe dirão. Paro de roubar-lhe o tempo com algumas palavras de um livro que trás em si muito de mim e de quem eu sou. Só para dar fim ao clichê e às minhas asneiras.

"(...) desistiu de qualquer esforço para melhorar. Consequentemente, o aspecto físico tornou-se o espelho de sua degradação mental: adotou um comportamento desleixado e uma aparência ignóbil; o seu mau humor natural deu origem a um excesso, quase demente, de insociabilidade, sentindo, por isso, um prazer mórbido em despertar a aversão (e não a simpatia) dos poucos que a rodeiam(...)" - O Morro dos Ventos Uivantes.-

Aí está, fiz o máximo que pude para fazer-lhes entender quem sou eu. Tenho certeza de que não entenderam nada. Mas vão entender, um dia.

____
Parte do que esta aí já foi escrito em 'The only exception', é um texto que fiz para a aula de Filosofia.