Primavera. A grama verde do campo, o ar fresco. Ao ar livre, deito delicadamente em cima do pano estendido no chão. Olhando para o céu, finalmente posso ver as pequenas luzes brilhando distantes. Senti falta das estrelas todo esse tempo. Por mais escuro que esteja, posso me guiar através delas.
Respiro fundo e sorrio. Pela primeira vez em tanto tempo estou em paz. Sinto a respiração tranquila que acompanha a minha, olho para o lado, mas o espaço está vazio. É que dentro de mim ainda estás aqui. Talvez o tempo em que pude senti-lo tenha sido tão pouco que comecei a imaginar coisas.
Definitivamente isso tem virado paranóia. Eu particularmente não me importo muito, contanto que possa senti-lo. Que seja platônico então, que eu fique aqui sonhando acordada esperando que estejas aqui, tendo a ridícula certeza de que estás mesmo aqui, que eu me iluda sozinha sem precisar de ti para isso, desde que eu possa te amar.
Contanto que todos os sonhos sejam calmos e tranquilos como esse, não me importo de ter que acordar todas as manhãs e perceber que foi um sonho.
domingo, 27 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Salvo em rascunhos.
Se o futuro é escrito certo por linhas tortas, devo ser uma caderneta de rabiscos. No qual se encontram todas as rasuras já escritas. O sentimento de fracasso é a pior dor, a vontade de tentar vai escapando por entre os dedos. É inútil derramar uma lágrima sequer. É inútil ouvir as palavras ao redor quando dentro de mim, nada muda. Eu sei que devia começar por mim, sei que todas as broncas são verdade, sei que ninguém vai jamais saber como é sentir o que eu sinto. Mas me deixem por favor chorar.
É o máximo que eu posso fazer além de tentar, além de dar meu máximo. Me deixem gritar e não se irritem. Eu preciso tirar de dentro de mim essa dor que persegue todo o tempo, vinte e quatro horas do meu dia. Preciso esquecer, e não é fácil. Preciso deixar pra trás e seguir em frente. Eu sei tudo isso. Não quero pena, não quero que ninguém se coloque no meu lugar. Só quero poder me irritar, reclamar, ser pessimista (porque o otimismo não me levou a lugar algum). Quero poder desistir sem tentar, porque me parece tão mais fácil...
Quero poder olhar nos olhos das outras pessoas e não sentir nojo, olhar para mim mesma e estar satisfeita. Olhar para o céu e ver mil estrelas. Ohar para os lados e encontrar alguém... Eu quero tantas coisas. Mas querer não significa poder, e quem não faz não recebe.
Salvo em rascunhos as palavras que eu queria gritar, as lágrimas que eu preciso derramar, a angústia de me sentir assim, a vontade de roubar aqueles olhos castanhos pra mim. Salvo em rascunhos tudo o que sou, o que quero ser e principalmente, os desejos que percorrem meu pensamento e meus sonhos dia após dia.
É o máximo que eu posso fazer além de tentar, além de dar meu máximo. Me deixem gritar e não se irritem. Eu preciso tirar de dentro de mim essa dor que persegue todo o tempo, vinte e quatro horas do meu dia. Preciso esquecer, e não é fácil. Preciso deixar pra trás e seguir em frente. Eu sei tudo isso. Não quero pena, não quero que ninguém se coloque no meu lugar. Só quero poder me irritar, reclamar, ser pessimista (porque o otimismo não me levou a lugar algum). Quero poder desistir sem tentar, porque me parece tão mais fácil...
Quero poder olhar nos olhos das outras pessoas e não sentir nojo, olhar para mim mesma e estar satisfeita. Olhar para o céu e ver mil estrelas. Ohar para os lados e encontrar alguém... Eu quero tantas coisas. Mas querer não significa poder, e quem não faz não recebe.
Salvo em rascunhos as palavras que eu queria gritar, as lágrimas que eu preciso derramar, a angústia de me sentir assim, a vontade de roubar aqueles olhos castanhos pra mim. Salvo em rascunhos tudo o que sou, o que quero ser e principalmente, os desejos que percorrem meu pensamento e meus sonhos dia após dia.
sábado, 12 de junho de 2010
Aqueles olhos.
"Dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos... Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me."
Dom Casmurro - Machado de Assis
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Chá de morango.
Escuto a chaleira gritar. Levanto da velha poltrona, sem vontade. Desligo o fogão. Xícara, saquinho de chá de morango, bastante açúcar. Encho o recipiente com água fervente. Volto a me sentar. Olho pela janela. Céu escuro e sem estrelas. Noite fria. Pele fria. Meus cabelos desgrenhados são o reflexo da solidão de domingo. O pijama surrado e a pantufa rasgada só confirmam a ausência de alegria em minha face.
O cômodo vazio é um espelho de todo o meu corpo. Uma vez quando ficava sozinha, pensava em tantas coisas. Agora já não consigo mais. Simplesmente não dá. À medida em que a lua se aproxima e o céu se fecha, minha alma se fecha também. A solidão toma conta de mim e não restam motivos para seguir respirando.
Nem triste, nem feliz. Nada. Simplesmente nada. Só vazio. Amo tanto as estrelas. Mas nem essas tem aparecido para me fazer companhia de uns tempos pra cá. Nos meus pensamentos só uma imagem. A velha imagem. Os traços borrados, os sorriso apagado e o olhar distante. Lembranças de um tempo tão distante.
Estou tão distante de mim mesma quanto o céu está das águas do mar. Um além impossível de ultrapassar. Quero me encontrar em mim novamente. Achar o eu que se perdeu. Tomo o último gole de chá, despejo água na xícara e a deixo sobre a pia. Vou deitar. Nada mudou de ontem pra cá. Mais um dia vivido em vão.
O cômodo vazio é um espelho de todo o meu corpo. Uma vez quando ficava sozinha, pensava em tantas coisas. Agora já não consigo mais. Simplesmente não dá. À medida em que a lua se aproxima e o céu se fecha, minha alma se fecha também. A solidão toma conta de mim e não restam motivos para seguir respirando.
Nem triste, nem feliz. Nada. Simplesmente nada. Só vazio. Amo tanto as estrelas. Mas nem essas tem aparecido para me fazer companhia de uns tempos pra cá. Nos meus pensamentos só uma imagem. A velha imagem. Os traços borrados, os sorriso apagado e o olhar distante. Lembranças de um tempo tão distante.
Estou tão distante de mim mesma quanto o céu está das águas do mar. Um além impossível de ultrapassar. Quero me encontrar em mim novamente. Achar o eu que se perdeu. Tomo o último gole de chá, despejo água na xícara e a deixo sobre a pia. Vou deitar. Nada mudou de ontem pra cá. Mais um dia vivido em vão.
Colei na geladeira pra você lembrar de mim.
Tristes estavam minhas feições ao te encotrar naquela noite, aquela noite triste na qual todo o meu mundo desmoronava. Eu estava caindo e sangrando, mas lá estava você. Segurando minhas mãos sem me deixar cair, me fazendo levantar a cabeça e seguir.
As vezes, muitas vezes, quando eu olho ao redor e vejo que nada restou, eu posso te enxergar. Teus olhos que parecem brilhar e refletir em mim, trazendo todo o teu calor. Esse calor que eu quero sentir agora. E sentada aqui,sozinha, eu fico pensando em como eu queria que estivesses aqui, agora.
Só para eu poder encher teus ouvidos de conversinhas banais, falar pelos cotovelos até que tu me mandasse calar a boca. Tu deve saber que eu não calaria não,sou chata demais! Agora ou tu some, ou me aguenta. Sou egoísta, só penso em mim.
Mentira! Penso muito mais em você do que em mim. Penso muito mais nas lembranças boas que rodeiam os meus dias quando estas presente. Sempre lembranças boas. Lembranças que eu não vou e nem quero esquecer.
Segue comigo o desejo de triplicar estas lembranças.
As vezes, muitas vezes, quando eu olho ao redor e vejo que nada restou, eu posso te enxergar. Teus olhos que parecem brilhar e refletir em mim, trazendo todo o teu calor. Esse calor que eu quero sentir agora. E sentada aqui,sozinha, eu fico pensando em como eu queria que estivesses aqui, agora.
Só para eu poder encher teus ouvidos de conversinhas banais, falar pelos cotovelos até que tu me mandasse calar a boca. Tu deve saber que eu não calaria não,sou chata demais! Agora ou tu some, ou me aguenta. Sou egoísta, só penso em mim.
Mentira! Penso muito mais em você do que em mim. Penso muito mais nas lembranças boas que rodeiam os meus dias quando estas presente. Sempre lembranças boas. Lembranças que eu não vou e nem quero esquecer.
Segue comigo o desejo de triplicar estas lembranças.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
O silêncio...
domingo, 23 de maio de 2010
Gorete quer ser Gisele.
Não é costume meu assistir ao programa Pânico na Tv, que passa na RedeTv todas as sextas e domingos a noite. Já tem algum tempo que presto atenção no quadro 'Gorete quer ser Gisele'. Não fico feliz com o que vejo. A imagem de Paula Veludo, como foi reconhecida pelo Brasil inteiro já tem alguns meses, foi friamente escandalizada. Não tenho nada contra o programa, com frequencia me pego dando risada às custas das piadinhas imperdíveis que dali surgem, porém, a extrema valorização da aparência me desconcerta um pouco.
Nunca fui extremamente linda, nem extremamente magra, nem cheguei perto de ser uma modelo de capa de revista. Não mesmo. Me culpei por não estar dentro dos padrões durante muito tempo. Mas sabe o que percebi? Que eu gosto de mim do jeito que eu sou, que essas gordurinhas a mais não me fazem mau algum. Que meu cabelo não é o mais bonito do mundo, mas é meu. São as pessoas que se sentem incomodadas por eu ser assim. Quem já me chamou de gorda em praça pública, quem veio me chamar de feia em recadinho de orkut... essas são as pessoas que fazem questão de se sentir incomodadas por eu não ser protótipo. O problema com meu corpo e minha aparência está é nos outros, pois a mim não afeta. Estou bem comigo mesma exatamente como me olho no espelho. Tenho plena consciência de que beleza e corpo sarado não é tudo, e que tenho tantas coisas que se sobressaem em mim além de uma foto bonita.
O que me faz escrever sobre isto é a indignação com os comentários mostrados em rede nacional. Nos 'making offs' do quadro 'Gorete quer ser Gisele' os apresentadores se enxeram de si para chamá-la de feia, repetiram constantemente que ela nunca ficaria bonita, riram, fizeram tantas piadinhas sem graça - lembrando também dos quadros feitos na praia, do ridículo 'Vou, Não vou', nos quais a verdadeira beleza da mulher é jogada fora e trocada por bundas semi nuas - aí está, a quem nunca acreditou... Gorete não tem nada de Gisele, nem mesmo depois da transformação, mas não precisa ser igual a Gisele para ser linda.
Beleza é tão superficial, tão relativa. A verdadeira beleza não está nesses quadros mostrados no programa, e sim dentro da pessoa. Como li em algum lugar, se termina em questão de segundos, em uma conversa monótona. A beleza só é tudo para quem enxerga ao redor e nada vê. No momento em que Gorete apareceu no palco, todos ficaram de boca aberta. Engulam então os comentários. É só o que posso dizer.
Outra coisa que me deixou possessa foi o comentário: 'Você agora tem dignidade'. Com o perdão da palavra, puta que pariu! Ninguém precisa ter um rosto lindo e um corpo escultural para ser digno. No programa o apresentador Emílio disse para procurar no google, procurei então.
Nunca fui extremamente linda, nem extremamente magra, nem cheguei perto de ser uma modelo de capa de revista. Não mesmo. Me culpei por não estar dentro dos padrões durante muito tempo. Mas sabe o que percebi? Que eu gosto de mim do jeito que eu sou, que essas gordurinhas a mais não me fazem mau algum. Que meu cabelo não é o mais bonito do mundo, mas é meu. São as pessoas que se sentem incomodadas por eu ser assim. Quem já me chamou de gorda em praça pública, quem veio me chamar de feia em recadinho de orkut... essas são as pessoas que fazem questão de se sentir incomodadas por eu não ser protótipo. O problema com meu corpo e minha aparência está é nos outros, pois a mim não afeta. Estou bem comigo mesma exatamente como me olho no espelho. Tenho plena consciência de que beleza e corpo sarado não é tudo, e que tenho tantas coisas que se sobressaem em mim além de uma foto bonita.
O que me faz escrever sobre isto é a indignação com os comentários mostrados em rede nacional. Nos 'making offs' do quadro 'Gorete quer ser Gisele' os apresentadores se enxeram de si para chamá-la de feia, repetiram constantemente que ela nunca ficaria bonita, riram, fizeram tantas piadinhas sem graça - lembrando também dos quadros feitos na praia, do ridículo 'Vou, Não vou', nos quais a verdadeira beleza da mulher é jogada fora e trocada por bundas semi nuas - aí está, a quem nunca acreditou... Gorete não tem nada de Gisele, nem mesmo depois da transformação, mas não precisa ser igual a Gisele para ser linda.
Beleza é tão superficial, tão relativa. A verdadeira beleza não está nesses quadros mostrados no programa, e sim dentro da pessoa. Como li em algum lugar, se termina em questão de segundos, em uma conversa monótona. A beleza só é tudo para quem enxerga ao redor e nada vê. No momento em que Gorete apareceu no palco, todos ficaram de boca aberta. Engulam então os comentários. É só o que posso dizer.
Outra coisa que me deixou possessa foi o comentário: 'Você agora tem dignidade'. Com o perdão da palavra, puta que pariu! Ninguém precisa ter um rosto lindo e um corpo escultural para ser digno. No programa o apresentador Emílio disse para procurar no google, procurei então.
Dignidade:
A dignidade é a palavra que define uma linha de honestidade e ações corretas baseadas na justiça e nos direitos humanos, construída através dos anos criando uma reputação moral favorável ao indivíduo. Respeitando todos os códigos de ética e cidadania e nunca transgredindo-os, ferindo a moral e os direitos de outras pessoas.
Ser digno é obter merecimento ético por ações pautadas na justiça, honradez e na honestidade.
A dignidade é a palavra que define uma linha de honestidade e ações corretas baseadas na justiça e nos direitos humanos, construída através dos anos criando uma reputação moral favorável ao indivíduo. Respeitando todos os códigos de ética e cidadania e nunca transgredindo-os, ferindo a moral e os direitos de outras pessoas.
Ser digno é obter merecimento ético por ações pautadas na justiça, honradez e na honestidade.
Agora me digam onde a aparência de alguém se encaixa nesta descrição... I google it, men! Bonita ou feia, a dignidade se constrói em cima de um caráter, longe de descrições físicas. Acho que quem devia ter pesquisado era o apresentador, antes de falar uma besteira dessas. As pessoas são dignas independente de como se parecem. Sendo assim, deveríamos dar muito mais valor às ações antes de ver qualquer graça em quadros humorísticos tão banais... Com ou sem dentes, Gorete sempre foi uma pessoa bonita, simples e humilde. Muito mais digna do que muita gente estereotipada que se vê por aí. Beleza não é fundamental!
- e só para constar... até entendo que sem dentes e com a aparência anterior ela não conseguiria emprego e nem um bom lugar na sociedade. Ele pode ter se referito à dignidade em outro sentido, como em 'socializar' com o resto. Mas isso só acontece porque deixamos que seja assim.
Assinar:
Comentários (Atom)
