terça-feira, 31 de agosto de 2010

A guerra dos sexos. (Crônica de Português)

Significado de preconceito de acordo com o dicionário:"Forma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado. O preconceito existe em relação a quase tudo e varia em intensidade da distorção moderada a um erro total."

Sim, eu cito o preconceito porque todo e qualquer tipo de atrito entre os sexos vem daí. Todos vivem batendo em uma mesma tecla de 'mundo moderno', século XXI e "as coisas não são mais como eram antigamente", mas na verdade, no subconsciente continua tudo quase igual. Tanto as mulheres quanto os homens continuam com a mesma visão que tem do sexo oposto. Homem que pega várias é o cara, mulher que pega muitos é galinha. Homens são todos mentirosos, traidores e precisam ter voz mais ativa no relacionamento. Mulheres devem ser submissas, casar e ter filhos para atingirem a felicidade plena.
Pode ter acontecido uma grande mudança na forma de pensar, mas o que percebo tantas vezes é que no final das contas sempre voltamos a estaca zero. Hoje em dia o que muitos não perceberam ainda, é que as mulheres estão bastante masculinizadas, e eu digo isso no sentido de decisões que tomam em relação a seus parceiros. Muitas já não querem mais aquela vida clichê de casar e ter filhos. Muitas já não tem mais a grande necessidade de formar uma família para serem felizes, nem todas desejam apenas um parceiro sexual, nem querem aquele maldito príncipe que nunca chega. Já se conformaram, entenderam finalmente que nem todo livro, novela ou filme retrata o futuro de cada uma.
E quanto aos homens... Bem, os homens também estão se dando conta de que o sexo feminino não é assim tão bobo. Pode parecer que estou me contradizendo em relação ao que disse antes, mas não. Eu digo isso porque, querendo ou não, os dois sexos continuam pensando da mesma forma, mesmo agindo de forma diferente. E eu como mulher, muitas vezes sinto pena de alguns homens pelo fato de eles estarem se perdendo nessa mudança de hábitos que está acontecendo principalmente no sexo feminino.
Tanto as mulheres quanto os homens precisam dar um jeitinho de se render ao novo com cautela, para evitar a geração de conflitos que podem vir a surgir futuramente. As mudanças vão continuar ocorrendo e o que precisamos é saber usufruir com cautela da liberdade de expressão que nos é proporcionada. Homens e mulheres podem sim viver em paz entre si, longe de preconceitos e comentários maldosos que sempre acabam saindo sobre o sexo oposto. Afinal, como todos sabem... Um não vive sem o outro.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Um café e um amor.

Não costumo apagar nada do que escrevo. Normalmente deixo em algum lugar até o que não me agrada. Afinal, são sentimentos que coloco no papel. Muitas vezes antes de dormir surgem na cabeça mil idéias, mil histórias. Mas nem sempre tenho a vontade de levantar da cama quentinha para transcrever meus devaneios, e no outro dia, a história se perde. Só que esta... Esta eu tinha de contar!
Ele acordou cedo naquela manhã. Acendeu um cigarro e tomou um copo de vinho. Era um cara reservado. Não muito alto, moreno, olhos claros. Também não tinha lá muitos amigos, quem dirá namoradas. Gostava de ler clássicos e ouvir boas músicas, e não era muito de conversar.
Havia ido a um bar na noite anterior. Lugar calmo, escuro. Tomou alguns drinks e se limitou a pensar. Olhando fixamente para frente, sem prestar atenção no que acontecia ao redor. De repente, uma mulher se aproximou. Loira, alta, olhos castanhos. Roupa preta e vermelha.
-Posso sentar aqui? perguntou ela- os outros lugares etão vazios...
Ele não respondeu, só conseguia olhar para aqueles olhos.
-Ei, moço? Esta tudo bem?
-Err... está sim. Pode sentar.- disse ele gaguejando.
Ela acendeu um cigarro,sentou-se na frente dele e começou a conversar, como se o conhecesse a anos. No início, ele estranhou, mas quando se deu por conta já estava ali, tagarelando junto com ela. Mesmo gosto musical, mesmo gosto por livros, mesmo tudo... A tempos não encontrava alguém assim, tão parecido com ele.
Aí está, ele finalmente se pegou pensando em alguém. Decidiu dar uma caminhada para não se agoniar com seus pensamentos. Desceu as escadas e andou rua a fora. Caminhava olhando para seus pés, pois não gostava de olhar muito para as pessoas. De repente, esbarrou em alguém. Levantando a cabeça, acabou por encontrar cabelos que o vento bagunçava; levantando devagar, encontrou seus olhos. Era ela. Não conseguiu se conter e sorriu. Cumprimentou sem jeito, e a convidou para um café. Depois de muito conversarem, decidiram ver um filme. Ele levou-a para sua casa, encontrou um filme antigo que ambos gostavam, pegou uma garrafa de vinho e sentou ao lado dela. Quando olhava para o lado podia perceber os lábios carnudos daquela moça pedindo para serem beijados. Ao se mordiscar discretamente, ao acariciar sua mão, ao sorrir. Seus rostos foram se juntando, e os lábios se entrelaçaram em um beijo doce, quente. Parecia que ambos eram duas criaturas em busca de uma presa, o calor do corpo de cada um saltava de dentro pelo movimento das mãos.
Apesar do dia frio na rua, naquela sala tudo parecia fogo. Tirar uma por uma das peças de roupa foi inevitável. O fizeram então, lentamente. Cobrindo-se de beijos e carícias em intervalos curtos de tempo. Os dois corpos se entrelaçavam com perfeição, os movimentos estavam em perfeita sintonia, como se cada um soubesse exatamente o que o outro queria. Amaram-se como jamais haviam amado alguém antes. Gemidos ofegantes ultrapassavam as finas paredes. Os corpos estavam suados,insistindo em pressionar-se um sobre o outro, traziam sensações que nenhum dois dois havia sentido antes.
No final da tarde, ela vestia sua roupa. Ele a olhava delicadamente e percebia que aquele corpo era o que ele precisava para se sentir feliz novamente. Convidou-a para ficar, mas ela disse que não. Pediu então para se encontrarem novamente, ela respondeu que estaria saindo da cidade no dia seguinte. Se despediu, vestiu o casaco, agradeceu e saiu pela porta.
Ele ficou observando ela ir embora, pensativo. Respirou fundo e sorriu. Sabia que sentiria falta dela, mas teria que seguir em frente. Voltaria a levar a mesma vida de sempre, afinal. Foram apenas dois dias. Dois dias que ele não iria esquecer. Fez mais uma xícara de café e acendeu outro cigarro. Sentou-se na velha poltrona e riu sozinho. Estava feliz de qualquer forma, e a solidão que contemplava os seus dias passou a ser bem vinda desde então. Alguns olhares cruzam o nosso e vão embora em seguida. A vida tem dessas coisas, idas e vindas. É preciso aceitar para seguir, e aprender a ser feliz sozinho, como o moço da história aprendeu.

Suppose.

Tenho escutado bastante Secondhand Serenade nos últimos dias, em especial a música Suppose, em português, Suponha. É uma banda que eu indico a todos, tem letras lindas e um ritmo contagiante.
And my eyes are screaming for the sight of you
And tonight I'm dreaming of all the things that we've been through
And I can't hold on to you.
So I guess I feel lonely, too.
Slow way down, this break down's eating me alive.
And I'm tired, this fight is fighting to survive.
Tell me a secret, (I want it), tell me a story, (I need it)
I'll listen attentively, I'll stay awake all night.
Allow me to whisper (so softly)There's nothing I did mean (please help me)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Happy B'day, sobumceudeblues !

Um ano de blog... ora, quem diria? Jamais pensei que fosse conseguir finalmente manter algo assim por tanto tempo. Mas aqui estou eu, postando exatamente um ano depois do início da minha vida blogueira, aniversariando virtualmente. Tantas coisas foram acontecendo, mudando, me encantando, me fazendo bem e mau. E eu devo agradecer a minha vida, sendo ela boa ou ruim, por estar aqui desde 22 de julho de 2009. Tudo que aqui postei faz parte de mim, do que fui, do que sou. Cada letra, cada citação... Tudo.
É o meu mundo mais detalhado do que qualquer pessoa possa imaginar. Mais do que eu mesma poderia imaginar. Espero continuar escrevendo por muito tempo, e ainda estar aqui no próximo ano, me renovando sempre, e escrevendo cada vez mais.

Obrigada a todos os seguidores, aos que comentam, aos que só lêem, ao pessoal da comunidade do orkut, aos que me mandam recados... A todos, minha eterna gratidão pelos elogios e críticas que fazem com que eu melhore a cada dia.
Beijões e continuem acompanhando =)

domingo, 18 de julho de 2010

Gelo e fogo.

Gelo e fogo. Sim, és totalmente extremo. Gelo quando fala, quando está sério, quando briga, quando acha que é meu pai e reclama por eu beber demais. Acha que eu sou louca demais, que falo demais. E fique sabendo que também acho isso de você, senhor extremista. Tuas palavras tocam em mim como um cubo de gelo, tuas poucas palavras, tuas divinas expressões.
Fogo quando me toca. Quando deixa tuas mãos percorrerem o meu corpo devagar, descobrindo cada parte do que eu sou. Fogo quando sussura em meu ouvido, quando me provoca, quando me olha. Fogo quando respira perto de mim, quando me abraça. Gelo... a parte gelada desta bagunça devo ser eu mesma. A parte que sempre encontra um motivo pra fugir, pra se esconder. Gelo. Mas só consigo ser eu mesma, assim, fria, quando estou contigo. Porque acendes em mim algo que nem eu mesma havia descoberto antes.
Ei, dono da minha raiva, da minha agonia, da minha confusão... você deve saber que é o causador de tudo isto. Com esse jeito tranquilo, com esses lábios ardentes que chamam pelos meus a cada vez que olho para você. É sim, dono dos meus medos, dono de mim. Droga.
Gelo e fogo. Sabes ser as duas coisas tanto quanto eu. Me fazendo apreciar cada parte do que és. Sendo este sentimento recíproco ou não, continuarás sendo para mim gelo e fogo. Toma cuidado, as duas coisas queimam.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

É só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto.

Novembro de 2009. O céu escuro e sem estrelas, a noite não tão fria. Todos os alunos da escola estavam com suas roupas novas, e suas garrafas de bebidas preparando-se para a festa que viria a seguir. Escolha da Rainha, lembro bem do ambiente. Não muito grande, apenas algumas mesas, uma pista de dança e um pequeno palco. As luzes já estavam apagadas. A música alta impedia que eu ouvisse o que me falavam. Encontrei uma amiga com a qual não conversava a um bom tempo. Júlia, era o nome dela. Melhores amigas desde o primeiro ano do Ensino Médio, sabiamos tudo uma sobre a outra. Por motivos que não são necessários citar, deixamos de nos falar por um tempo. Sem brigas e maiores reclamações, apenas não nos falamos mais.
Mas voltando a festa, encontrei ela no bar do local. Ela me abraçou entusiasmada, não entendo até hoje o porque, e disse sorrindo:
- Que saudade! Agente precisa conversar... Sinto falta de você...
- Eu também, respondi. Agente se fala fora da festa, amanhã ou depois. - Me despedi e saí com minha bebida.
Quando estava voltando ao bar, lá estava ele. Daniel. Meu corpo gelou. Logo a sua frente estava Júlia. Parei, olhei assustada. Ela bebeu um gole da cerveja dele, beijaram-se. Respirei fundo e virei as costas prometendo a mim mesma que não choraria. Sentei em uma mesa perto da pista de dança. Bebi. Não demorou muito para outro amigo chegar e falar comigo. Na época ele dizia gostar de mim.
- Eu já vi, disse ele. Também já falei com ele. Acorda, ele não te quer.
Sorri para ele e fui até o banheiro pensando 'Como se eu já não soubesse'. Tudo passava rápido na minha cabeça, como um filme acelerado. Os momentos em que eu conversava com ela, dizia como me sentia em relação a Daniel, para ouvir ela dizer que sentia saudade e beijar ele dois minutos depois. Aquele maldito Daniel e seus cabelos castanhos. O casaco de couro surrado e a calça jeans escura. O beijo. Entrei no banheiro, respirando ofegante. Sentei em um dos boxes, fechei a porta. Baixei a cabeça. Podia sentir minhas lágrimas tomando forma e caindo dos meus olhos. Por um instante eu fiquei ali, remoendo as coisas, me culpando e reclamando da vida. Até chegarem algumas amigas e me convencerem a voltar para a festa.
Decidi que precisava mesmo me recompor. Bebi algumas doses e fui dançar. Já eram quase quatro eu e um grupo de umas dez pessoas decidimos ir para o apartamento de um colega, por infortúnio do destino, era o apartamento de Daniel também.
Ao chegar, peguei uma cerveja e me encostei na janela. Como de costume, olhando para o céu e observando as estrelas. Lembrando da antiga história das 380 estrelas das quais ele havia me falado em nossa última conversa. Eu tentava fingir que ele não estava ali, mas era bastante difícil. De qualquer forma, me diverti. Não trocamos nenhuma palavra, apenas alguns olhares. Já estava indo embora, fuui a última a sair do quarto, quando ele me puxou pelo braço.
- Fica mais um pouco. - disse ele, me olhando.
- Me dá um bom motivo. - falei, séria.
- Eu tô aqui...
- Preciso ir embora, já tá tarde. - me afastei, fazendo com que ele largasse meu braço.
- Fica por favor.
Olhei para ele, sorri e saí pela porta. Desci as escadas do prédio, transtornada com a cena dele e de Júlia se beijando algumas horas atrás. Cheguei na entrada. Pensei por alguns instantes. Pedi a chave a um amigo e voltei correndo. Quando cheguei na sala, ele estava saindo do banheiro. Ao notar minha presença, me olhou, espantado. Me aproximei depressa, irritada.
- Qual é o teu problema? - eu disse.
- O que? Não to entendendo.
- Sabe que eu gosto de ti, sabe muito bem. Beijou a minha 'melhor amiga' na minha frente, e depois me pede pra ficar. Repito, qual é o teu problema?
- Problema nenhum... eu nem te vi naquela festa, loca. - maldito costume que ele tem de me chamar de 'loca'.
- Sou pequena, né? - debochei.
- Não to te entendendo, tu vai embora depois volta....
Peguei uma cerveja que estava em cima da cômoda improvisada no meio da sala, sentei no sofá, bebi, respirei fundo e disse olhando para ele:
- Eu queria ficar perto de ti. Sentir teu cheiro, te abraçar. - baixei a cabeça, mordendo o lábio.
- Vem aqui, disse ele me puxando pela mão e me levando até o quarto. Sentei na cama, ele estava só de bermunda, em pé na minha frente.
- Eu tô aqui, ta vendo? Faz o que quiser comigo. Eu sou teu, tu sabe.
- Não sei de nada não.
- Tem dez segundos, vou começar a contar. Tu pode chegar perto de mim e fazer o que quiser, ou sair pela porta.
Como o quarto estava escuro, apenas a luzinha que vinha da fresta da porta brilhava.
- Um, dois, três, quatro..., quando vi ele já estava ali, contando os segundos.
Respirei o mais fundo possível, levantei, abracei ele pela cintura e o beijei.
Nunca havia beijado alguém com tanta vontade antes, nunca havia desejado tanto sentir o gosto que a outra pessoa teria. Foi um beijo longo, calmo, tão bonito quanto os anteriores. Parei de beijá-lo e olhei em seus olhos, que finalmente estavam olhando para mim de verdade, ele sorriu e disse:
- Era isso que eu queria que acontecesse.

domingo, 27 de junho de 2010

Sonho acordada.

Primavera. A grama verde do campo, o ar fresco. Ao ar livre, deito delicadamente em cima do pano estendido no chão. Olhando para o céu, finalmente posso ver as pequenas luzes brilhando distantes. Senti falta das estrelas todo esse tempo. Por mais escuro que esteja, posso me guiar através delas.
Respiro fundo e sorrio. Pela primeira vez em tanto tempo estou em paz. Sinto a respiração tranquila que acompanha a minha, olho para o lado, mas o espaço está vazio. É que dentro de mim ainda estás aqui. Talvez o tempo em que pude senti-lo tenha sido tão pouco que comecei a imaginar coisas.
Definitivamente isso tem virado paranóia. Eu particularmente não me importo muito, contanto que possa senti-lo. Que seja platônico então, que eu fique aqui sonhando acordada esperando que estejas aqui, tendo a ridícula certeza de que estás mesmo aqui, que eu me iluda sozinha sem precisar de ti para isso, desde que eu possa te amar.
Contanto que todos os sonhos sejam calmos e tranquilos como esse, não me importo de ter que acordar todas as manhãs e perceber que foi um sonho.