quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Desejo.

Desejo deitar a cabeça no travesseiro e não lembrar. Desejo olhar para trás e ver só as coisas boas. Desejo que a agonia infinita cesse em meu peito. Acordar e dormir de cabeça fria, com os pensamentos em dia. Desejo não precisar pensar. Desejo ouvir as músicas e não lembrar ou associar a alguém. Sentar no banco da praça e tomar um sorvete comigo mesma. Dividir a cama de solteiro apenas com a gata sem sentir falta do aperto.
As vezes desejo até que nunca tivesse existido. Se voltar no tempo fosse possível, arrancaria de dentro de mim as alegrias e não me permitiria ter sido tão feliz para que as coisas fossem levadas embora com o tempo, por uma noite apenas. Desejo esquecer que um dia abri mão da minha felicidade pela sua. Desejo nunca mais ter que lembrar.
Mas eu lembro. Todos os dias. Incansavelmente. Lembro como se esse momento estivesse acontecendo de novo e de novo. Lembro da raiva, da dor, da sensação de que a dedicação nunca foi o suficiente. Lembro também das mentiras. “Quem mente não olha nos olhos”, lembra? Eu lembro. E eu que achava que os olhos nunca mentiam...

Desejo que você morra aqui dentro. Desejo que fique enterrado a sete palmos dos meus pensamentos. Desejo que tenha bons sonhos. Mas apenas por essa noite, por favor... Fique longe dos meus. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Blue vive.

Atualmente tenho sentido uma necessidade imensa de recorrer aos escritos para me sentir viva. O triste é que a vida leva da gente o tempo em que não era necessário se preocupar ele.  Escrever tem sido a única saída para tudo, porque sabe, é a única forma de expressar realmente tudo o que se sente sem deixar para trás sentimento algum, sem que seja preciso que se meçam palavras, sentimentos. Mas o relógio e seu irritante tic tac não tem deixado com que eu coloque para fora essa imensidão de agonias que vem me rondando. 
Estranho, não é? Como o fato de ter um ano a mais ou a menos não faça tanta diferença quando o que está velho e ranzinza é o coração. Este, só não cansa de bater porque ainda tem amor a vida e a alguns poucos e bons companheiros. Uma dose aqui, outra ali... É assim que tenho passado os últimos meses, se é que alguém quer saber. 
Continuem me visitando, queridos e fiéis leitores. Cada comentário que me deixam só me faz ficar com mais vontade de voltar a escrever diariamente. Agradeço o carinho, e principalmente a compreensão dos que aqui voltam vez ou outra para verificar as atualizações.

Que 2013 traga bons textos!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tabuleiro.

Entrega tudo o que tem de mãos beijadas ao desconhecido. Entra no jogo sem saber as regras, só sabe mesmo onde é o início. O final dele sabe-se lá se um dia encontrará. Joga os dados e encontra pelo caminho muitos avisos de "volte para o início". Mas você se boicota. Sempre gostou de fingir que quem ditaria o final da partida seria você. Mas no fundo, bem no fundo só sabe que nada sabe.
Se tivesse bom senso, voltaria mesmo ao início e não recomeçaria a partida. Mas prefere se arriscar mesmo que isso signifique morrer na praia. E é isso o que te torna humano. Arricar mesmo sabendo que pode botar tudo a perder. Você está vivo, e só vai se dar conta disso no momento em que todas as peças do tabuleiro estiverem a sua frente. Mas você é forte, segue em frente sem medo, e desiste ao se sentir fraco.
Que graça teria estar vivo se não fosse por jogar os dados para o alto sem deixar que eles ditassem seu caminho? O primeiro passo para a felicidade é saber a hora de abandonar a partida e começar uma nova. Encontrar novos caminhos inseguros e enfrentar desafios inesperados.
A vida é agora, e desistir de jogar não é vergonha. Ter forças para recomeçar sim, é um mérito. Erga a cabeça e siga em frente, volte para o início quantas vezes achar necessário. Jogue tudo para o alto quando necessário, mas nunca esqueça de recomeçar. É em um desses recomeços que se esconde a sua grande vitória.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Doces sonhos.

Impossível enxergar o céu no dia de hoje. A janela embaçada pelo frio só permite que se imagine a quantidade de corpos que querem se entrelaçar durante a madrugada mas permanecem frios pela distância. Não posso contar estrelas, não posso ver a lua. Mas vem com esse frio o chá quente, a cama repleta de cobertores, uma música baixinha, servindo apenas para tirar das costas o peso de segunda feira, e o mais importante de tudo: aquela foto daquele corpo agora distante, que a pouco tempo atrás aquecia minhas mãos, mas teve de partir até o dia de amanhã,deixando comigo apenas o calor do seu coração. Doces sonhos, sonhos doces.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Madrugada

Acordei atordoada, o vento soprando forte. O relógio marcando 4:37. Olhei pela janela e vi folhas secas voando lá fora. Me aninhei entre os cobertores felpudos e comecei a lembrar. O seu perfume ainda estava em meus cabelos. E então lembrei daquele rosto, vindo sorridente em minha direção. Nunca tinha me sentido tão bem na presença de alguém antes.
As intermináveis conversas que iam noite adentro, sem sentido algum. Espero nunca mais ter que sentir falta delas. Queria que estivesse aqui agora, para celebrar comigo o frio que faz lá fora. E unir o calor dos corpos em um daqueles abraços sinceros.

AXR

sábado, 31 de março de 2012

Sonha, menina!

Fecha os olhos e sonha! Sonha porque a realidade é cruel. Sonha, e quado abrires teus olhos novamente não esqueça a fantasia do ninar. Vai pro teu mundo das fadas, dos anjos, dos céus claros, das estrelas.
É, menina, os dias aqui não tem sido fáceis. As horas demoram a passar e o inverno vem chegando. As flores que havíamos plantado pelos jardins estão murchando. E as alegrias do rolar na grama e correr ao ar livre já não são mais possíveis. Estamos todos presos, menina. Presos dentro de nós mesmos.
Sonha, menina. Sonha porque é no vazio do sono profundo que solitários como nós sentimos a ternura da felicidade plena.




quarta-feira, 14 de março de 2012

Na esperança de te ver chegar.

Apareceu de surpresa ao meu lado e disse em tom de brincadeira: "Finalmente consegui passar!". Meus pés não se moviam e passei a falar com pressa, sem nem saber que palavras saíam de minha boca. Breve diálogo. Passou-se o dia que mais pareceu se arrastar. Eu, eu me arrastei pelas paredes brancas rindo de mim mesma, tendo plena noção do quão ridícula me torno cada vez que chego perto dele. Os aos passam mas a reação continua a mesma. Totalmente ridícula.
Ao fim do dia, passou novamente ao meu lado. Foi, voltou, acendeu um cigarro. Vi seus olhos voltados para mim. Para mim? Doce ilusão, não é mesmo olhos castanhos? Agarrou uma bela loira pela cintura, beijou seus lábios uma, duas, talvez três vezes. Novamente, voltou seus olhos em minha direção, beijou-a novamente.
Por impulso, decidi sair. E então escuto de meus amigos que sou idiota, boba. Mas aqui dentro ainda canto tua canção: "Eu vou deitar, deixar a porta aberta..." Desejo mais uma vez que essa porta esteja aberta também para mim. Mas nunca está. Ontem mesmo havia dito para mim mesma que de tanto tentar aprender a nadar, morri na praia. Morri por dentro.