segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ZOO8.

Esse post é especial, apesar de simples. Escrevi com todo o sentimento do mundo, e com muito carinho a todos os que fizeram parte dos meus dias desde 2008. Muito pessoal, mas é inevitável expressar o que senti ao vê-los partir.

Tédio e impaciência tomam conta dos meus dias. Eu queria poder voltar no tempo mais do que nunca. Não mudaria nada. Nem um segundo sequer. Foi no momento em que os vi partindo que eu percebi o quanto foram importantes. Eu já sabia que os amava, mas não sabia a intensidade e o poder que isso tinha sobre mim. E então eu caí. Perdi toda e qualquer esperança de sorrir no ano que seguirá. Sem eles não terá graça alguma.
Alguns riem, dizem que é bobagem. Mas ninguém viveu com tanta intensidade o que nós vivemos em tão pouco tempo. Foram apenas três anos, mas sabe quando um breve instante eterniza e a recordação dos sorrisos persegue? Eu sei. Tenho guardados em mim milhares desses minutos perfeitos. E não há quem possa levar embora a agonia de vê-los partir. Achava que estava aproveitando tudo mas quando percebi, terminou e eu queria mais!
E o que mais dói é a sensação do nunca mais. É a certeza de que nunca mais eu viverei dias iguais aqueles. Dias em que nada importava e tudo o que fazíamos era rir dos problemas e beber qualquer coisa que tivesse álcool. Eu já sinto falta antes mesmo de pisar novamente naquele lugar. Eu sinto falta de tudo o que vivemos. E podem ter certeza que os momentos ali vividos vão ficar pra sempre na memória de todos que sentiram o mesmo que eu.

Eu amo vocês e isso não termina aqui!

Dedico a: Lorete, Dani, Carol, Gé, Laísão, Mandy, Micheli, Rafael Z., Andy, Kuko, Boiani, Itacir, Rangel e até mesmo a Sabrina. Por todos os momentos felizes que eu vivi no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - Campus Bento Gonçalves (pra mim eterno CEFET)!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Desejando esquecer.


As hours move to minutes
And minutes take longer to break
I will be desperately awaiting
But my tongue won't fall apart
And we've been sitting here for hours
All alone and in the dark.

De: Mayday Parade - You Be The Anchor That Keeps My Feet On The Ground, I'll Be The Wings That Keep Your Heart In The Clouds


Nada mais restou. Outro gole de cerveja seguido de mais uma tragada no cigarro. A luz apagada e o céu escuro só me permitem vê-lo queimar. Ele é tão belo. Tão saboroso e tão quente quanto qualquer outra coisa que eu já tenha experimentado. Eu tentei suprir minha necessidade de estar completa com outras coisas. Tentei ser sincera do meu jeito estúpido e dizer o que sentia. Mas desde sempre isso só afastou as pessoas ao redor. Talvez alguns tenham medo de se entregar a outro alguém, a uma aventura qualquer. Se não der certo, valeu tentar.
Bebo outro gole, está tão gelada quanto a minha pele que implora por um calor que os cobertores não trazem. Sorrio para o nada e percebo a pessoa sozinha que me tornei. Lembro tardes que passei em meio a tanta gente e me peguei sentada em um canto pensando em nada. As pessoas ali, eu aqui. De certa forma sempre foi assim, provavelmente sempre será. O que eu trago comigo costuma repelir as pessoas de uma forma que não consigo entender. A aparência insatisfaz os olhos e não permitem que conheçam o que há por trás dela - não que isso seja grande coisa-. Prometi jamais mudar pelos outros e mantenho. Só mudo por mim. Fazer algo pelos outros nunca me levou a lugar algum. Nunca me trouxe bons resultados.
A cerveja já terminou e eu continuo no escuro. Provavelmente continuarei assim até o amanhecer. Me arrependendo de falar demais, de pensar demais e de querer demais. Ao menos saberei que quando eu acordar, terei ao meu lado coisas que me farão esquecer e dormir denovo. Ao menos momentaneamente, eu terei paz.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Comer, Rezar e Amar. - Filosofia

Igualdade entre os sexos. O assunto vem sendo tratado ao longo de muitos e muitos anos. O que conseguimos até agora? Igualdade, claro; em partes. Ao mesmo tempo em que as mulheres podem trabalhar em lugares em que só homens trabalhavam, podendo exercer grandes cargos e atingindo maior competência na realização das tarefas, a evolução da igualdade traz consigo um lado desigual. Muitos acham que as mulheres estão de certa forma, se masculinizando, e que deveriam voltar aos seus lugares de origem, limpando a casa e dedicando-se a família e ao marido em tempo integral, para evitar problemas.

Tomemos como exemplo o filme O Sorriso de Monalisa, no qual a atriz Julia Roberts interpreta uma professora de classe média, independente e solteira em uma escola na qual as alunas são “programadas” para sustentar uma vida a dois. Com a certeza de que as mulheres têm a capacidade de viver feliz sem um companheiro, valorizando a essência da inteligência e do bom gosto pela arte, livros e músicas, acrescentando os mesmos nas cabecinhas cheias de idéias prontas que são formadas desde sempre e mostrando ideais e perspectivas de vida diferenciadas para as alunas. Enfrenta o preconceito de toda uma instituição e das próprias estudantes, porém, consegue fazê-las enxergar que a vida não é sempre um grande livro romancista e sim uma junção de altos e baixos, que sucedem as escolhas que são tomadas ao longo de uma vida.

Achei toda a história muito bem articulada. Muitas das mulheres ainda pendem para o antigo regime fechado que lhes é apresentado desde a infância. Vivem para encontrar um grande amor. Ah, se soubessem que a vida é mais uma tragédia de Shakespeare do que um clichê romântico de Stephenie Meyer. O belo príncipe encantado em cima de um vistoso cavalo branco é tão last week, e tão impossível de acontecer quanto à chuva no Norte do Brasil.

A busca pelo amor perfeito tem sido deixada de lado para dar espaço à busca de si própria. Preferindo então estudar, trabalhar e conseguir um cargo elevado do que sair desesperada a procura de um grande e invisível amor. A presença masculina virou então o que sempre foi, um complemento a felicidade, e não o motivo da mesma. Voltando então a Julia Roberts que estrela outro filme do mesmo feitio, baseado no livro Comer, Rezar e Amar, de Elizabeth Gilbert. A revista ÉPOCA, de 27 de setembro de 2010, apresentou uma reportagem muito bem escrita, na qual expõe a história do livro e os objetivos de Elizabeth ao escrevê-lo:

“A escritora chegou à meia idade com um casamento sem filhos desfeito, seguido de uma paixão que não deu certo e apenas uma certeza: não sabia mais quem ela era. Deixou para trás tudo o que tinha (ou não tinha) e partiu para uma jornada pelo mundo: Itália, Índia e Bali(...)

O filme, como o livro, é um épico pós feminista: em busca de equilíbrio espiritual e independência emocional, Elizabeth tira o foco do alvo clichê das mulheres – um grande e seguro amor–, e é aí que o encontra. Não como objetivo principal, mas como parte daquilo que se chama felicidade. (....)”

Aí está, talvez Elizabeth tenha retratado em seu livro o que muitas de nós mulheres gostaríamos de fazer. Sair em busca de felicidade. Porque como citado na revista, o amor é uma conseqüência de uma série de conquistas que fazem parte da vida, e quando colocado em primeira opção, torna-se algo um tanto forçado, uma alegria obrigatória. Não quero dizer que encontrar outro alguém e amá-lo é impossível, mas sim que não deve ser algo idealizado ou colocado em primeiro plano. Pode haver tantas coisas tão ou mais incríveis quanto um relacionamento.

E não é de hoje que muitas mulheres vêm deixando de lado uma “carreira” emocional e dedicando-se mais ao que querem, retirada da revista ÉPOCA, uma lista de filmes antigos e atuais que contam histórias de mulheres que largaram tudo em busca da sua felicidade.

“Heroínas que largaram tudo e foram atrás de si mesmas:

(Mulheres do tempo em que os mocinhos não tinham vez)

Shirley Valentine

1989
Shirley Valentine é uma mulher perfeita e tradicional. Todos os dias arruma a casa, passa roupa e prepara o jantar do marido. Só que Shirley está vivendo um momento difícil e acha que essa existência rotineira está acabando com seus velhos sonhos de juventude. Para tentar recuperá-los, viaja por duas semanas para a Grécia com uma amiga. Longe do marido e dos filhos, talvez encontre o amor e quem sabe a liberdade

Presente de grego

1987
Diane Keaton vive uma executiva ambiciosa e bem-sucedida que ganha de “herança” uma bebê, sua sobrinha que ficou órfã. Diante das dificuldades de trabalho de uma mulher com filhos, larga a empresa e vai viver no interior com a menina. Acaba encontrando sua verdadeira vocação, se apaixonando e conseguindo equilibrar seu trabalho com a vida pessoal

Thelma & Louise

1991
As duas protagonistas, feitas por Susan Sarandon e Geena Davis, saem pela estrada, abandonam seus homens, matam um estuprador e dão carona para Brad Pitt. No fim, preferem morrer a continuar vivendo num mundo patriarca

Sob o sol da Toscana

2004
Frances Mayes (Diane Lane), uma escritora que vive em São Francisco, tem uma vida perfeita até que se divorcia do marido. Decide comprar uma chácara na Toscana para descansar e começar uma nova fase em sua vida. Enquanto reforma a casa, conhece um homem que a faz redescobrir seus sentidos.”

Talvez o dia em que pararem de procurar e de idealizar tanto a figura masculina, as ilusões se terminem e cada mulher vai ter consciência de que o amor não existe apenas em uma vida a dois, e que os sorrisos que vão fazer seu rosto brilhar podem vir de lugares completamente inusitados, e a figura masculina vai se tornar cada vez menos necessária. E eu digo necessária no sentido de necessidade extrema. As mulheres vão continuar amando os homens e chamando-os de cachorros, galinhas, canalhas e toda essa imensa lista de bobagens; e vão continuar a procura deles. O que deveria ser diferente é que essa procura precisa ser algo que acontecesse ao natural, e não uma necessidade de auto- afirmação.