quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O poeta.

     Sempre quis ser a musa inspiradora de um poeta. É nas palavras e na intensidade delas que a gente reconhece a verdadeira paixão. O poeta não é como o homem comum, ele não tem medo de sentir. Ao contrário, para ele o que vale é o sentimento em toda a sua intensidade.
      O poeta não tem medo da dor. Ora, como poderia? É dessas dores mais insuportáveis que surgem os mais belos poemas. Também não teme o amor. É ele que faz a ponta da caneta tocar o papel. O poeta, o singelo escritor... Não tem medo de mostrar ao mundo a beleza de sua amada. Mas sempre teme que ela nunca leia seu poema. Ou que ela não entenda as entrelinhas.
     Sempre quis ser a musa inspiradora de um poeta. Será que já fui e nunca soube? A meus “musos” inspiradores vai o recado: Vocês sempre saberão. Porque o poeta sabe tudo, menos ser discreto quando usa as palavras. Talvez não vá direto ao ponto, mas está sempre lá, aquele nome, escancarado nas entrelinhas. 

A noite.

Por algum motivo nunca gostei de escrever sobre o amanhecer das pessoas. Sei lá, talvez a vida ao acordar seja alegre para alguns. Para mim, acordar (pela manhã) é um parto. As coisas boas da vida acontecem, na verdade, a noite.
É durante uma madrugada de verão, entre uma cerveja e outra que você faz novos amigos. É ao anoitecer, quando vem o por do sol, que as mais belas frases de amor são ditas. É no escuro que a gente costuma deitar a cabeça no travesseiro e sonhar.
Você já se deu conta que até mesmo os sonhos não são tão sonhos durante o dia? A noite tudo é mais intenso. É na noite que "todos os gatos são pardos" mas que todos esses gatos mostram o seu verdadeiro eu.
A noite, no verão, trás a brisa fresca. No inverno, o calor das cobertas. A noite é a melhor hora do dia para ficar acordado e também para dormir. Para tomar uma cerveja ou um vinho. É a noite que a vida acontece.

Melodia.

Deitou na cama e apagou a luz. Talvez estar só nesse momento fosse exatamente o que precisava. Acendeu um cigarro, ouviu tocar ao fundo aquela canção do desespero. O silêncio. Sempre soube que estar em silêncio era triste, mas naquela noite ao chegar em casa novamente sozinha, se deu conta de que era tudo o que restava. A melodia do anoitecer continuava em sua cabeça.
Esperava algo a mais. Alguém que desse tanto quanto queria receber. Mas percebeu, naquele noite que novamente terminava solitária que a música que tocava ao fundo era a sua música. A canção da dor escondida, das expectativas não superadas, do amanhecer sem alguém ao seu lado na cama. Soube que a canção que embalaria o resto das noites seria esse silêncio estridente que ecoa pelo quarto buscando uma conversa vazia.
Aos poucos foi pegando no sono, tornando aquele silêncio sua canção de ninar. Talvez porque seja ali, nos sonhos, que os pormenores de tornam peças chaves da esperança que o coração ainda carrega.
Doces sonhos, sonhos doces.