segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ZOO8.

Esse post é especial, apesar de simples. Escrevi com todo o sentimento do mundo, e com muito carinho a todos os que fizeram parte dos meus dias desde 2008. Muito pessoal, mas é inevitável expressar o que senti ao vê-los partir.

Tédio e impaciência tomam conta dos meus dias. Eu queria poder voltar no tempo mais do que nunca. Não mudaria nada. Nem um segundo sequer. Foi no momento em que os vi partindo que eu percebi o quanto foram importantes. Eu já sabia que os amava, mas não sabia a intensidade e o poder que isso tinha sobre mim. E então eu caí. Perdi toda e qualquer esperança de sorrir no ano que seguirá. Sem eles não terá graça alguma.
Alguns riem, dizem que é bobagem. Mas ninguém viveu com tanta intensidade o que nós vivemos em tão pouco tempo. Foram apenas três anos, mas sabe quando um breve instante eterniza e a recordação dos sorrisos persegue? Eu sei. Tenho guardados em mim milhares desses minutos perfeitos. E não há quem possa levar embora a agonia de vê-los partir. Achava que estava aproveitando tudo mas quando percebi, terminou e eu queria mais!
E o que mais dói é a sensação do nunca mais. É a certeza de que nunca mais eu viverei dias iguais aqueles. Dias em que nada importava e tudo o que fazíamos era rir dos problemas e beber qualquer coisa que tivesse álcool. Eu já sinto falta antes mesmo de pisar novamente naquele lugar. Eu sinto falta de tudo o que vivemos. E podem ter certeza que os momentos ali vividos vão ficar pra sempre na memória de todos que sentiram o mesmo que eu.

Eu amo vocês e isso não termina aqui!

Dedico a: Lorete, Dani, Carol, Gé, Laísão, Mandy, Micheli, Rafael Z., Andy, Kuko, Boiani, Itacir, Rangel e até mesmo a Sabrina. Por todos os momentos felizes que eu vivi no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - Campus Bento Gonçalves (pra mim eterno CEFET)!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Desejando esquecer.


As hours move to minutes
And minutes take longer to break
I will be desperately awaiting
But my tongue won't fall apart
And we've been sitting here for hours
All alone and in the dark.

De: Mayday Parade - You Be The Anchor That Keeps My Feet On The Ground, I'll Be The Wings That Keep Your Heart In The Clouds


Nada mais restou. Outro gole de cerveja seguido de mais uma tragada no cigarro. A luz apagada e o céu escuro só me permitem vê-lo queimar. Ele é tão belo. Tão saboroso e tão quente quanto qualquer outra coisa que eu já tenha experimentado. Eu tentei suprir minha necessidade de estar completa com outras coisas. Tentei ser sincera do meu jeito estúpido e dizer o que sentia. Mas desde sempre isso só afastou as pessoas ao redor. Talvez alguns tenham medo de se entregar a outro alguém, a uma aventura qualquer. Se não der certo, valeu tentar.
Bebo outro gole, está tão gelada quanto a minha pele que implora por um calor que os cobertores não trazem. Sorrio para o nada e percebo a pessoa sozinha que me tornei. Lembro tardes que passei em meio a tanta gente e me peguei sentada em um canto pensando em nada. As pessoas ali, eu aqui. De certa forma sempre foi assim, provavelmente sempre será. O que eu trago comigo costuma repelir as pessoas de uma forma que não consigo entender. A aparência insatisfaz os olhos e não permitem que conheçam o que há por trás dela - não que isso seja grande coisa-. Prometi jamais mudar pelos outros e mantenho. Só mudo por mim. Fazer algo pelos outros nunca me levou a lugar algum. Nunca me trouxe bons resultados.
A cerveja já terminou e eu continuo no escuro. Provavelmente continuarei assim até o amanhecer. Me arrependendo de falar demais, de pensar demais e de querer demais. Ao menos saberei que quando eu acordar, terei ao meu lado coisas que me farão esquecer e dormir denovo. Ao menos momentaneamente, eu terei paz.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Comer, Rezar e Amar. - Filosofia

Igualdade entre os sexos. O assunto vem sendo tratado ao longo de muitos e muitos anos. O que conseguimos até agora? Igualdade, claro; em partes. Ao mesmo tempo em que as mulheres podem trabalhar em lugares em que só homens trabalhavam, podendo exercer grandes cargos e atingindo maior competência na realização das tarefas, a evolução da igualdade traz consigo um lado desigual. Muitos acham que as mulheres estão de certa forma, se masculinizando, e que deveriam voltar aos seus lugares de origem, limpando a casa e dedicando-se a família e ao marido em tempo integral, para evitar problemas.

Tomemos como exemplo o filme O Sorriso de Monalisa, no qual a atriz Julia Roberts interpreta uma professora de classe média, independente e solteira em uma escola na qual as alunas são “programadas” para sustentar uma vida a dois. Com a certeza de que as mulheres têm a capacidade de viver feliz sem um companheiro, valorizando a essência da inteligência e do bom gosto pela arte, livros e músicas, acrescentando os mesmos nas cabecinhas cheias de idéias prontas que são formadas desde sempre e mostrando ideais e perspectivas de vida diferenciadas para as alunas. Enfrenta o preconceito de toda uma instituição e das próprias estudantes, porém, consegue fazê-las enxergar que a vida não é sempre um grande livro romancista e sim uma junção de altos e baixos, que sucedem as escolhas que são tomadas ao longo de uma vida.

Achei toda a história muito bem articulada. Muitas das mulheres ainda pendem para o antigo regime fechado que lhes é apresentado desde a infância. Vivem para encontrar um grande amor. Ah, se soubessem que a vida é mais uma tragédia de Shakespeare do que um clichê romântico de Stephenie Meyer. O belo príncipe encantado em cima de um vistoso cavalo branco é tão last week, e tão impossível de acontecer quanto à chuva no Norte do Brasil.

A busca pelo amor perfeito tem sido deixada de lado para dar espaço à busca de si própria. Preferindo então estudar, trabalhar e conseguir um cargo elevado do que sair desesperada a procura de um grande e invisível amor. A presença masculina virou então o que sempre foi, um complemento a felicidade, e não o motivo da mesma. Voltando então a Julia Roberts que estrela outro filme do mesmo feitio, baseado no livro Comer, Rezar e Amar, de Elizabeth Gilbert. A revista ÉPOCA, de 27 de setembro de 2010, apresentou uma reportagem muito bem escrita, na qual expõe a história do livro e os objetivos de Elizabeth ao escrevê-lo:

“A escritora chegou à meia idade com um casamento sem filhos desfeito, seguido de uma paixão que não deu certo e apenas uma certeza: não sabia mais quem ela era. Deixou para trás tudo o que tinha (ou não tinha) e partiu para uma jornada pelo mundo: Itália, Índia e Bali(...)

O filme, como o livro, é um épico pós feminista: em busca de equilíbrio espiritual e independência emocional, Elizabeth tira o foco do alvo clichê das mulheres – um grande e seguro amor–, e é aí que o encontra. Não como objetivo principal, mas como parte daquilo que se chama felicidade. (....)”

Aí está, talvez Elizabeth tenha retratado em seu livro o que muitas de nós mulheres gostaríamos de fazer. Sair em busca de felicidade. Porque como citado na revista, o amor é uma conseqüência de uma série de conquistas que fazem parte da vida, e quando colocado em primeira opção, torna-se algo um tanto forçado, uma alegria obrigatória. Não quero dizer que encontrar outro alguém e amá-lo é impossível, mas sim que não deve ser algo idealizado ou colocado em primeiro plano. Pode haver tantas coisas tão ou mais incríveis quanto um relacionamento.

E não é de hoje que muitas mulheres vêm deixando de lado uma “carreira” emocional e dedicando-se mais ao que querem, retirada da revista ÉPOCA, uma lista de filmes antigos e atuais que contam histórias de mulheres que largaram tudo em busca da sua felicidade.

“Heroínas que largaram tudo e foram atrás de si mesmas:

(Mulheres do tempo em que os mocinhos não tinham vez)

Shirley Valentine

1989
Shirley Valentine é uma mulher perfeita e tradicional. Todos os dias arruma a casa, passa roupa e prepara o jantar do marido. Só que Shirley está vivendo um momento difícil e acha que essa existência rotineira está acabando com seus velhos sonhos de juventude. Para tentar recuperá-los, viaja por duas semanas para a Grécia com uma amiga. Longe do marido e dos filhos, talvez encontre o amor e quem sabe a liberdade

Presente de grego

1987
Diane Keaton vive uma executiva ambiciosa e bem-sucedida que ganha de “herança” uma bebê, sua sobrinha que ficou órfã. Diante das dificuldades de trabalho de uma mulher com filhos, larga a empresa e vai viver no interior com a menina. Acaba encontrando sua verdadeira vocação, se apaixonando e conseguindo equilibrar seu trabalho com a vida pessoal

Thelma & Louise

1991
As duas protagonistas, feitas por Susan Sarandon e Geena Davis, saem pela estrada, abandonam seus homens, matam um estuprador e dão carona para Brad Pitt. No fim, preferem morrer a continuar vivendo num mundo patriarca

Sob o sol da Toscana

2004
Frances Mayes (Diane Lane), uma escritora que vive em São Francisco, tem uma vida perfeita até que se divorcia do marido. Decide comprar uma chácara na Toscana para descansar e começar uma nova fase em sua vida. Enquanto reforma a casa, conhece um homem que a faz redescobrir seus sentidos.”

Talvez o dia em que pararem de procurar e de idealizar tanto a figura masculina, as ilusões se terminem e cada mulher vai ter consciência de que o amor não existe apenas em uma vida a dois, e que os sorrisos que vão fazer seu rosto brilhar podem vir de lugares completamente inusitados, e a figura masculina vai se tornar cada vez menos necessária. E eu digo necessária no sentido de necessidade extrema. As mulheres vão continuar amando os homens e chamando-os de cachorros, galinhas, canalhas e toda essa imensa lista de bobagens; e vão continuar a procura deles. O que deveria ser diferente é que essa procura precisa ser algo que acontecesse ao natural, e não uma necessidade de auto- afirmação.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Worst Nightmare

(Invasão de alheios... ^^' estou aqui eu me aproveitando novamente da bondade alheia para postar algumas coisas...)

Sabe aqueles dias em que você tem a certeza de que alguma coisa está terrivelmente errada? Você procura tentar descobrir o que está acontecendo e não consegue. O dia vai passando e essa certeza vai ficando cada vez mais forte. Mas em determinado momento do dia essa sensação desaparece e o dia segue normalmente. Eu tive um dia parecido. A única diferença foi que não era só uma sensação.

Tudo começou quando eu abri os olhos. Comecei a ficar com dor de cabeça, mas pensei que fosse por causa dos pesadelos que eu tenho tido nos últimos tempos. Sentei-me na cama e tonteei um pouco. Fiquei sentado mais um tempo e me levantei para tomar banho para ver se minha cabeça arejava. Depois do banho fui para a cozinha.

Pela hora que era, esperava ver todos tomando café, mas a cozinha estava vazia, a luz desligada e não havia indício de café da manhã ali. Minha mulher também não estava na cama, não a ouvi levantar e a casa estava mergulhada em um silêncio profundo e mortal, o que me deixou bastante apreensivo. Sentei-me numa cadeira e tentei raciocinar o que poderia ter acontecido, olhei para o corredor e vi um vulto passando para o meu quarto. Não podia ser meu filho, era grande demais para ser ele. Cheguei à conclusão que poderia ser duas coisas: minha mulher indo para o quarto ou, na pior das hipóteses, um ladrão.

Fui para a garagem e pequei um dos meus tacos de golfe para o caso de que fosse a segunda opção. Fui muito devagar para o quarto, olhei pela porta semi-aberta e vi minha mulher deitada na cama. Senti um grande alivio em saber que estava tudo bem. Guardei o taco e voltei para o quarto.

Quando entrei novamente no quarto minha mulher estava num sono muito pesado e eu ia acordá-la quando uma coisa me chamou atenção: estava escuro, mas pelo relógio já era para ter amanhecido. Acordei-a e perguntei se o relógio estava certo, ela me olhou com uma cara de sono, olhou para o relógio e disse que estava. Então olhei para o relógio novamente e vi que eram três horas da manhã. Aquilo me deixou muito perplexo, eu podia jurar que vi o relógio marcar outro horário até alguns segundos atrás. Depois perguntei para ela se ela havia saído do quarto, já que quando eu acordei o lado dela da cama estava vazio, mas ela me disse que não acordara nem por um instante. Depois ela ainda me olhou melhor e perguntou por que eu já estava vestido, eu apenas dei um beijo nela, tirei a roupa e deitei na cama. Teve ainda outra coisa que me deixou inquieto naquele momento: por que meu despertador tocou tão cedo? Fiquei pensando na possibilidade de eu estar sonâmbulo. Estranhei um pouco isso, mas logo estava dormindo novamente.

Acordei, olhei para o lado e minha mulher novamente não estava lá. Mas não me surpreendi já que ela sempre acorda mais cedo que eu. Sentei e minha cabeça começou a girar, o que me fez lembrar do que acontecera à noite. Assustei-me com o fato de estar sentado bem no mesmo ponto da cama e na mesma posição. Só por precaução fui um pouco para o lado.

Eu estava me sentindo sujo, precisava de outro banho. Coloquei o roupão e fui para o banheiro. Quando estava tirando a roupa percebi que minhas roupas de baixo eram as mesmas que eu estava usando ontem, como se eu não tivesse tomado banho. Tentei não pensar muito nisso. Entrei debaixo do chuveiro e me senti bem melhor.

Fui para a cozinha, que estava inabitada e novamente sem indícios de café da manhã. Corri para a janela para ver se realmente havia amanhecido. Depois de ter certeza que, desta vez, eu estava na hora certa, sentei numa cadeira e vi um vulto passando pelo corredor. Pensei que ia enlouquecer. Ter um sonho daqueles até que era normal, mas quando começa a acontecer tudo de novo não há vivente que não estranhe.

Corri para o quarto e vi minha mulher arrumando a cama. Tinha várias perguntas para fazer, mas fiquei quieto por um tempo observando ela trabalhar. Depois ela falou que tinha que sair mais cedo, por isso não fez café. Disse para mim me arranjar com a comida.

Depois de mais um tempo parado observando ela, perguntei se havíamos conversado naquela noite. Ela se virou e balançou a cabeça negativamente, pensou por um instante e balançou a cabeça novamente, se levantou, me deu um beijo, pegou nosso filho e saiu.

Resolvi verificar a garagem para ver se meus tacos de golfe estavam no lugar. Entrei na garagem e vi meu saco de tacos do outro lado do carro, onde eu sempre o deixava. Abri-o para verificar e senti falta do meu taco de estimação, bem aquele que supostamente teria pego noite passada. Resolvi então procura-lo no sofá, já que foi lá que eu o larguei.

Na sala eu olhei em todos os cantos, mas não o achei. Pensei que seria mais oportuno procurar depois do trabalho, quando eu tinha mais tempo. Olhei para o relógio e vi que já estava atrasado, então resolvi nem tomar café. Fui para a porta da frente tomar um ar. Chamou minha atenção o fato da rua estar completamente vazia e todo aquele silêncio incomum nos dias de hoje. Mas entrei logo porque precisava sair.

Passei uma água no rosto e fui para a garagem. Quando abri a porta fiquei estático olhando para o lugar onde deveria estar meu carro. Não fazia sentido ele ter sumido assim, afinal eu o vira alguns minutos antes e as chaves estavam em minhas mãos. Tentei ligar para minha mulher, mas ela não atendia, assim como todos os outros números para quem tentei ligar.

Por algum motivo senti que precisava sair. Abri a porta e vi o carro estacionado onde havia um grande vazio até pouco tempo atrás. Apaguei rapidamente a informação da minha mente, apenas entrei no carro e dei a partida.

Fui na direção ao centro da cidade. Normalmente eu chegaria lá em quinze minutos se eu fosse sempre reto, mas vinte minutos depois eu ainda não havia saído do meu bairro. Passado mais algum tempo, já preocupado com o fato de que iria me atrasar demais para o trabalho, tive a impressão de ter passado na frente da minha casa, o que seria impossível, já que não fiz nenhuma curva. Coloquei na minha cabeça que foi só uma impressão e continuei andando, desta vez prestando atenção nas casas ao redor. Nada me pareceu estranho até eu avistar o campo de futebol que fica que fica a duas quadras da minha casa. Sem contar que o campo fica para o lado oposto àquele que eu havia saído. Pensei que ia enlouquecer. Aliás, eu já estava louco.

Andei mais um pouco e parei em casa para ver se minha cabeça parava de rodar. Fiquei na cozinha ainda um bom tempo olhando para o nada, depois me levantei e abri a porta da frente. O carro não estava lá. Fiquei desesperado e quase arranquei meus cabelos. Isso não podia ser possível. O carro tinha alarme e a chave ainda estava comigo. Peguei o celular e tentei lugar para alguém, mas novamente, ninguém atendia. Fui para o banheiro, lavei a cara, caminhei um pouco pela casa e, por fim, fui parar na garagem. Quase cai para trás quando vi o carro alí. Era surreal demais e eu já estava começando a surtar.

Tirei a chave do bolso e ela começou a balançar, percebi então que eu estava tremendo. Entrei no carro esperando que já fosse quase hora do almoço, mas meu relógio indicava que ainda faltava meia hora para começar o trabalho. Minha pálpebra esquerda começou a contrair-se involuntariamente. Não entendia aquilo, mas tinha certeza de uma coisa: alguém lá em cima não gostava nem um pouco de mim.

Desta vez consegui chegar ao centro. Olhei para aqueles prédios e imaginei que iria me perder de novo, mas não foi isso que aconteceu. Na verdade, o que aconteceu foi que a cidade estava vazia. Liguei o rádio e fiquei olhando para os prédios e as calçadas tentando achar algum sinal de vida. Já nem me assustava mais, tanto que comecei a dar risada do nada.

Um pouco antes de chegar ao prédio onde trabalho a rádio que estava ouvindo começou a chiar e desviei a atenção na pista por um instante para mudar de estação. Nenhuma estava funcionando. Ouvi uma buzina, olhei para frente e freei repentinamente. Havia uma fila quilométrica de carros num congestionamento que até dois segundos não existia. Meu coração disparou, estava suando frio e as dobras dos meus dedos estavam passando de vermelho para roxo. Mais um pouco eu acho que teria entortado o volante ao som de uma música que dizia “last chance to lose control” no rádio que acabara de voltar.

Estacionei numa vaga ali mesmo, já que eu estava perto do trabalho e aquela fila parecia que ainda iria demorar a sair do lugar. Saí do carro e fui andando até o trabalho. A primeira coisa que notei quando entrei foram algumas mudanças nada sutis no hall de entrada, parecia mais um palácio presidencial do que um prédio comercial, mas as pessoas pareciam nem notar essas mudanças. Mas o que mais me surpreendeu foi quando abri a porta da minha sala, havia virado um cubículo. Meu queixo caiu no chão. Só tinha uma mesa e uma cadeira. A única coisa que eu me perguntava era onde tinham ido parar as minhas coisas.

Entrei no escritório me arrastando e sentei naquela cadeira dura, estava pasmo. A situação piorou ainda mais quando olhei para o canto daquele cubículo e meu queixo quase furou o piso. Havia três pilhas de quase um metro de relatórios para corrigir. Fiquei admirando aquilo mais um tempo e fui até lá contra minha vontade. Havia uma folha em cima de toda aquela papelada escrita “entregue tudo pronto até o final do dia”. A primeira coisa que me veio à cabeça foi três pilhas de relatório pegando fogo, mas depois pensei melhor e vi três pilhas voando pela janela na minha cabeça, já que o fogo poderia incendiar o prédio inteiro, se bem que não parecia mais uma má idéia fazer isso.

Quando estava me convencendo a colocar minha idéia em prática bateram na porta do escritório. Era a assistente do meu chefe dizendo que ele queria falar comigo e era urgente. Acho que ela até se assustou quando me viu, pudera, eu parecia um demente. Não, eu estava demente. Fiquei ali parado ainda um tempo tentando restabelecer, depois saí e peguei o elevador para subir até a sala dele. Mas o elevador não subiu; mais ou menos na metade do caminho a luz resolveu acabar.

Não sei bem certo o que acontecei depois. Acho que soltei um grito que ecoou no prédio inteiro. Quando a luz resolveu resolve voltar eu não estava mais no elevador, estava sentado num canto de uma sala toda estofada de vermelho com alguns detalhes em dourado e em madeira fina. Cheguei à conclusão que era a sala do chefe por causa de todo aquele luxo, mas ela estava vazia. Ele queria falar comigo, mas não estava lá. Olhei para o relógio e eram quase doze horas, mas eu recém tinha chegado ao meu escritório, não fazia sentido, mas quem se importava?

Atrás de mim entrou a assistente dele e me disse que ele tinha ido almoçar e que não voltaria aquele dia, mas eu não precisava mais voltar, que eu estava demitido. Olhei bem para ela com cara de tonto, olhei para a cadeira do meu chefe – ou ex-chefe -, olhei para a janela aberta, olhei para ela novamente e olhei para a janela. Fui para a janela.

Acho que foi algo meio instintivo o salto, nem pensei muito. Na verdade nem pensei. Pelo certo eu deveria cair em linha reta e vertical até o chão. Eu caí, mas não exatamente até o chão. Um pouco antes de dar de cara na calçada fechei os olhos esperando espatifar meu corpo, só que eu continuei caindo. Abri os olhos os olhos e tudo ao meu redor estava preto. Eu estava no meio do nada, mas continuava caindo. Depois de um tempo minha respiração começou a ficar mais e mais fraca.

Quando não consegui mais respirar fiquei desesperado e, de repente, me vi sentado na minha cama. Meu coração estava acelerado, eu estava suando frio e ofegante. Minha mulher acordou e me olhou assustada.

– Mais um pesadelo, querido?

By: Daniel (again)

domingo, 28 de novembro de 2010

Tell me, tell me...

Nos teus braços, sentindo o teu abraço. Era exatamente onde eu gostaria de estar. E aquela história, velha história de todas as coisas que eu tinha prazer em lembrar... Sonhava com a luz que vinha do teu olhar de encontro ao meu. Eu sei que foi pedir demais. Mas eu gostaria tanto que segurasse a minha mão, bagunçasse meu cabelo e me desse certeza de que não fiz tudo errado. Que você também sempre quis.
Diga que também sonhou naquela noite fria, que também quis voltar no tempo e fazer tudo de novo. Sentir os lábios quentes que não se deixavam sufocar pelo calor dos corpos. Me diz então que o que bebemos não influenciou no que quis fazer. O fez porque sempre quis. Diz que lembra tanto quanto eu das conversas repletas de filosofia, das estrelas que contei e de quando eu disse que me importava. Eu ainda me importo.
Lembra... Lembra e diz que quer tudo de novo, tanto quanto eu.

"E quando eu durmo no seu colo... você me fez sentir denovo o que eu já não sentia mais."

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Conversas com a Morte

Ele entrou no quarto do sótão onde tinha passado os últimos anos, depois que a casa tinha ficado vazia. Era um cômodo simples, tinha só uma cama num canto, um guarda-roupa velho e pesado, uma escrivaninha com alguns rascunhos e uma janela que dava para o jardim, que era o lugar onde passava a maior parte do tempo, e ali ele se debruçou para olhar as estrelas.
Olhar as estrelas era o seu hobbie desde a juventude, quando começou a escrever aqueles poemas de amor inocente para a garota amada que viria a ser a mãe de seus dois filhos. Ele amava as estrelas, eram a sua inspiração. Tinha até um nome para cada uma daquelas que mais gostava, era a Joana, a Sofia, a Estela... mas sua favorita era Katherine, a maior e mais brilhante de todas, com quem ficava conversando horas e horas sem parar. Seus olhos brilhavam tanto quanto as estrelas quando estavam juntos. O tempo foi passando e o homem foi ficando ali debruçado olhando para o céu e sorrindo para aquelas piscadelas tímidas delas até que alguém bateu na porta.
- o senhor precisa de alguma coisa? – falou um vulto na fresta da porta recém aberta.
- não. Não, obrigado. Pode ir dormir. Está tudo bem.
- se precisar de alguma coisa é só chamar.
- não se preocupe, eu estou bem. Boa noite.
- boa noite, senhor. – e a porta voltou a se fechar. O homem sentou-se na cama e ficou olhando para a janela ainda por mais um tempo antes de se deitar.
- boa noite, querida. Vejo você amanhã.
Pouco tempo depois já estava dormindo e sonhando. Ele nunca teve sonhos muito interessantes, a maioria ou não fazia muito sentido ou eram monótonos demais para virar uma boa história e eram poucos que podiam ser aproveitados para suas histórias, mas essas ficavam boas, ou melhor, perfeitas. Ele já ganhou muitos prêmios com essas. Outras histórias as estrelas o contavam, essas eram boas também, mas suas obras primas com certeza vieram dos seus sonhos.
Naquela noite ele sonhou. Sonhou com sua amada, como a muito tempo não sonhava. Nele os dois ainda eram jovens e estavam em um campo deitados à sombra de uma grande árvore observando as nuvens e estavam perdidamente apaixonados, mas então começou a esfriar e o céu ficou nublado, as folhas da árvore começaram a balançar violentamente com o vento e Katherine de repente não estava mais ali. Ele olhou ao seu redor e percebeu que tudo estava escurecendo aos poucos e de repente uma voz o chamou, então ele fechou os olhos e quando os abriu novamente viu somente uma coisa: o teto. Definitivamente havia acordado. Novamente acordado olhou para a janela para contemplar sua amada.
- Sr. Adrian, chegou sua hora. – a voz ecoou pelo quarto e fez esfriar e o homem pensou estar delirando, então ele fechou e abriu os olhos de novo e o que viu foi exatamente o que esperava ver: o teto.
- Sr. Adrian – chamou novamente a voz –, chegou sua hora. – e ele olhou para o lado. O que viu foi um vulto esguio e encapuzado de pé perto do armário.
- quem é você? – perguntou o homem sentado na cama.
- como assim quem eu sou? – e estourou um trovão, mesmo o céu estando limpo e cheio de estrelas. – Eu sou o destino, sou a morte!
- mas você é homem, ser o destino tudo bem, mas a morte... É que soa muito estranho, sabe? Já pensou em usar “o morto”? Soa mais másculo.
- SILÊNCIO! Você devia estar com medo, não está?
- e por que teria? Não tenho nada a perder mesmo.
- então é assim? Posso te levar numa boa? Você não vai resistir?
- também não é assim. Não tenho nada a perder, mas ainda tenho muito a ganhar. Meu ultimo livro de contos está fazendo o maior sucesso e o dinheiro vai começar a entrar logo. Eu não quero ir agora.
- mas você devia estar se descabelando como todos os outros, eu não entendo...
- eu não vou morrer – falou enquanto se levantava para ir sentar na cadeira em frente a escrivaninha – Sente-se.
- o que... eu.. ãã... tudo bem. Como assim não vai morrer? Claro que vai. Eu vim aqui para isso.
- e do que eu vou morrer? Só para saber, afinal, é mais do que justo eu saber isso.
- bem, deixe-me ver. Pelo que consta sua ficha você vai ter um infarto fulminante daqui a vinte minutos enquanto estiver dormindo.
- mas eu não estou dormindo, consequentemente eu não posso morrer se não pegar no sono nos próximos vinte minutos, não é?
- na verdade você ainda está dormindo. Esta aqui é sua mente e eu não sou exatamente real.
- isto é mal.
- pois é.
- como assim você não é exatamente real?
- bem, como você já deve saber, eu apareço antes das pessoas morrerem, mas, de certa forma, eu sou parte da imaginação coletiva. Por exemplo, eu nunca tenho a mesma personalidade e nem a mesma aparência para todos que eu apareço.
- então quer dizer que você é assim porque eu imaginei você assim?
- mais ou menos, o capuz preto é sempre o mesmo.
- e você tem a personalidade que eu imaginar?
- isso sim. Já teve vezes que tive que suportar cada coisa que você nem imagina. Particularmente, eu prefiro visitar escritores e professores, sabe?
- espera um pouco. Antes você tinha dito que aqui era minha mente.
- isso mesmo.
- então eu posso controlar você.
- não, isso não. Eu invadi a sua mente e absorvi algumas características suas, mas eu continuo sendo eu mesmo e agindo por conta.
- Então quer dizer que você é uma parte de mim?
- sim e não. Como eu já disse, eu só absorvi uma parte e você, mas eu continuo sendo a morte. Porque tantas perguntas se o seu tempo já está acabando?
- é que eu sempre achei a morte fascinante e eu queria entender melhor como ela funciona.
- você quer realmente que eu explique para você como funciona?
- se você não se importar...
- não é muito dolorido, pelo menos ninguém reclamou na hora até hoje. Depois eu encaminho o penado para onde ele merece ir.
- posso te fazer uma pergunta?
- você já fez tantas...
- existe a possibilidade de eu virar uma estrela?
- vejamos... A sua ficha diz que você vai para o céu, esse já é o primeiro passo. Mas eu só cuido da morte, afinal, eu sou a Morte.
- e a quem cabe?
- não sei. Realmente não faço a mínima idéia. Não sou desse ramo. Mas porque você quer virar uma estrela?
- elas me fascinam, me inspiram, me iluminam e me fazem companhia. Eu quero poder fazer tudo isso para alguém.
- ora vejam, uma causa nobre. É tão difícil ver esse tipo de coisa hoje em dia. Pelo jeito desistiu da idéia de que iria conseguir achar uma maneira de escapar de mim.
- eu tentei, não é? Eu não consigo pensar em mais nada e ainda por cima estou cansado. Pelo jeito não vou encontrar uma forma de escapar tão cedo.
- não mesmo.
- mas o que exatamente você é?
- é meio complicado. Eu sei que já fui humano, mas não lembro de nada da minha vida nem de como eu morri, tudo que eu lembro é que me disseram que eu tinha sido uma pessoa muito má, mas que iriam me dar a chance de escolher entre virar o que sou ou me mandar para o andar de baixo até que decidissem que fosse suficiente.
- e você é o único?
- não. Eu morreria com tanto trabalho. Têm muitos outros cumprindo a mesma pena que eu. Eu já vi alguns por aí.
- e há quanto tempo você faz isso?
- não sei. Na verdade, quando se faz isso, não existe um tempo certo, pode ser um dia ou um milênio, eu não sei. A propósito, está na sua hora. Você está pronto?
- para que?
- para morrer.
- não!
- ótimo! Vamos então! Este é o seu cartão de acesso. Daqui a pouco vai aparecer uma escada e você vai subir, querendo ou não. Agora preciso ver outra pessoa. Foi um prazer conhecê-lo.
- mas... Eu não... – mas a morte já havia sumido e o homem ficou parado ainda algum tempo até um brilho opaco aparecer atrás dele. Ele se virou e se sentiu puxado em direção daquela escada disforme e sem fim, então seu cartão também começou a brilhar e todo aquele brilho ofuscou sua visão. Quando voltou a enxergar estava na frente de um grande portão com um guarda sentado num canto observando-o com uma chave na mão.
- com licença, senhor. Você poderia me informar como eu faço para virar uma estrela.

By: Daniel

sábado, 20 de novembro de 2010

Whispers in the dark.

Olhos fechados e uma cama vazia. Um quarto escuro e bagunçado, paredes brancas e sujas. NAda pra sonhar. Nada que possa chamar de seu. E então você abre os olhos e não vê nada ao redor. A escuridão toma todo o seu corpo e você já não quer mais estar ali, sozinho. Cansado de não sentir nada por ninguém, nem mesmo por si próprio. Perseguido por uma culpa angustiante sobre algo que não fez. As horas vão passando e tudo continua exatamente igual. Você não está onde queria estar, com quem gostaria de estar.
O tempo parece já não ser um bom remédio para arrancar de dentro de você toda a dor que sente sem explicação. Só pensa que nada pode levar isso embora. Nem um sorriso vazio, nem uma palavra dita em vão. Nada mais permanece, nem mesmo as ilusões. Nada é suficiente para acalmá-lo. Nem em bebidas e cigarros encontra prazer. O dia amanhece e você continua ali, sem saber o que pensar. Sentindo falta de coisas que não aconteceram, esperando por coisas que não virão jamais.
Tudo se confunde e te leva a pensar que talvez você consiga viver sem sonho algum. Mas sem sonhos o que será de você? Quando tudo o que foi bonito se perdeu em dias sombrios, a única coisa que você deseja é fechar os olhos, escutar o barulho da chuva e pedir para que as cores voltem a surgir na sua cabeça, e que novos sonhos venham junto com elas.

Over and over again

Perdida em meio a suspiros dilacerantes, olhei para os lados e vi que se aproximava. Seu cabelo cresceu desde a última vez que o vi. E pela primeira vez, consegui não olhar em seus olhos. Eles teriam me engolido em um único segundo, e eu me perderia novamente em suas feições.
O corpo congelado, os movimentos limitados. A velha vontade de me aninhar em seu peito... E sentado ao meu lado, trocava algumas palavras sem sentido. Eu respondia sem me movimentar. Um minuto de silêncio até ele virar as costas e ir embora, novamente. Sem motivo algum se aproximou, e sem motivo algum foi embora.
Consegui sorrir ao vê-lo se afastar. E seus movimentos vindo em minha direção não saem da minha cabeça. Não me senti feliz, nem triste. Mas senti aquele vazio que não tarda em me consumir quando o vejo partir. Inexplicável obsessão, inevitável vontade de tê-lo novamente.

"Tudo ao redor me faz lembrar que eu o tive, que um dia ele foi meu. Mas eu o perdi, para sempre"
(O Morro dos Ventos Uivantes)

domingo, 31 de outubro de 2010

Lovely lonely night.

Céu escuro e vazio. Imensidão distante. Entrelaçando olhares, capturando imagens escuras, o mundo gira. E gira tão devagar que não percebo nem mesmo que a vida vai passando... Olhares vazios me cercam. Não consigo então parar de desejar com egoísmo tudo o que não me é ofertado. E este mesmo céu que segue escuro sobre mim vai tirando aos poucos a vontade de viver. Antes eu contava 380 estrelas, agora encontro apenas duas.
Me pergunto aonde foram parar as outras. Aonde eu fui parar... Perdida em multidões, deixando tudo de lado só para não precisar perder tempo pensando. Ignorando sentimentos e palavras vazias, presa dentro de mim mesma sem chance de escape.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O abraço.

Olha para mim com aquela cara de bobo e diz que sou malvada. Enquanto isso eu desejo poder tocar no seu cabelo e acariciar incansavelmente. Vai se aproximando pouco à pouco fazendo com que eu sinta seu cheiro. Meus sentidos começam a falhar, e as bobagens saem de minha boca incontrolavelmente. Olho discretamente para a roupa que usa e para o cabelo bagunçado. Encantador.
As caras e bocas me fazem sorrir e perder o foco de qualquer coisa que eu tente pensar além de 'Quero ter você pra mim'. Ah eu quero. Chame de capricho ou do que julgar melhor. Difícil descrever as coisas quando elas são reais e surreais ao mesmo tempo. A junção de realidade com meus sonhos sempre acaba em desastre; mas todos já sabem que sou um desastre ao natural.
No momento em que eu sentir os braços ao redor dos meus, acariciando meu ombro e encostando sua cabeça na minha, eu terei certeza de que eu não sonhei tão longe assim.

When you have a dream you must to follow it!

domingo, 24 de outubro de 2010

behind green eyes.

E por alguns segundos enquando ele falava comigo, segurou meus cabelos e acariciou com cuidado. Infelizmente não pude ver a expressão de seu olhar com clareza. As lentes dos óculos de grau que usava atrapalhavam, e o dia estava começando a escurecer. Sorriu discretamente, fazendo com que eu sorrisse também.
As palavras são sempre trocadas rapidamente e o tempo vai se tornando cada dia mais curto para encontrar qualquer assunto que leve à algum lugar, mas as semelhanças aparecem de tal forma que não consigo não pensar em como é lindo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Smilling... but inside i'm dying

Can't help but think of the times I've had with you...
Pictures and some memories will have to help me through.


Os sorrisos escondem a mágoa que cresce a cada dia dentro de mim. Vão apagando os vestígios do que tantos pensam que já se apagou. Mas não vai embora o sentimento que fiz crescer ao longo dos dias, não deixa meu corpo e minha mente em paz nem um segundo sequer. Tentei sair em busca de outros corpos, outros olhares. Mas nada nesse mundo se compara ao que senti quando por alguns minutos o que eu mais desejei foi meu. Qualquer outra pessoa tornou-se pequena demais perto do que idealizo. Qualquer outro rosto não é nada além de um rosto se comparado aquele.
Talvez por isso eu tenha me tornado tão vazia. Talvez por isso eu sequer espere alguém. O tempo me ensinou a ser sozinha, a não esperar recíprocidade em caso algum. Toda e qualquer dor que eu sinta se esconde atrás dos meus sorrisos. Eles vão fazendo com que o tempo leve embora de minhas feições toda a dor que insisto em sentir, e ao mesmo tempo, levam tudo de bom que eu possa vir a encontrar. Estou presa no passado. Só quero sentir os mesmos lábios, o mesmo corpo, ouvir os mesmos sussurros incansáveis, esperando pela minha indiferença.
Os sorrisos sempre escondem tudo. Sempre. Me escondem de mim mesma, do que eu deveria ser. Me afastam de qualquer coisa que me traga prazer.
Mas continuarei assim, sorrindo em vão. Esperando que os dias melhorem e que as memórias se apaguem. Os sorrisos escondem tudo de todos. Só não conseguem me esconder de mim mesma, do meu próprio ser.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

The unforgiven.

Doces, doces olhares. Penetravam em seus olhos e acendiam o sorriso que carregava no rosto. Foi deixando para trás as lembranças, a vontade de viver... E permanece assim, sozinho. Ele por ele, enquanto as horas passam, o cigarro vai queimando entre seus dedos. Deseja te-la uma vez mais, mesmo sabendo que não será possível. Ela o deixou, embora ainda leve consigo todas as lembranças.
O tempo foi passando e ele esqueceu de viver. Mas a ecolha foi dele próprio. Decidiu isso no momento em que virou as costas. Está sempre fugindo do que lhe faz bem, e sabe disso. Não consegue estender as mãos na direção daquela que ama, tem medo de machucá-la novamente. E prefere não mais sorrir. Não deseja mais nada, nem mesmo respirar.
Desistiu dos sonhos e das ilusões. Desistiu de tudo. Tornando-se uma pessoa vazia e sem brilho.
Queima então as folhas velhas, com a esperança de que se queimem juntos seus devaneios. Mas continuam todos ali, cutucando. As imagens surgindo em preto e branco, lembranças de um passado bom, do tempo em que ainda sabia sorrir. Seus dentes tornaram-se amarelados por causa do café, e suas expressões foram se definhando cada dia mais. Em breve já não terá expressão alguma, nem mesmo de tristeza.
Ah, como ela queria poder ajudá-lo. Mas não se pode salvar uma pessoa que não quer salvar a si própria. Nem mesmo seus cabelos macios e seus olhos castanhos permaneceram bonitos. Todo e qualquer vestígio de vida naquele ser se apagou.


What I've felt, what I've known, never shined through in what I've shown. Never be, never see won't see what might have been. What I've felt, what I've known, never shined through in what I've shown. Never free, never me...So I dub the unforgiven.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Saudade.

Sigo então remoendo as palavras. Parace que as frases prontas e as desilusões perseguem. O brilho das únicas que me acalentavam se apagou. O dia chuvoso leva embora as minhas estrelinhas. Cada uma com seu brilho único, iluminando os meus olhos e o vestígio de alegria que há em mim. Então sem estrelas eu nada sou. Se nem em sua presença pareço grande coisa, quem dirá sem elas!
Vivo pra dizer que sinto falta. Paixão fervorosa por sentir falta das coisas. Coisas pequenas, quase invisíveis, que já deviam ter ido embora da memória antes mesmo de eu me lembrar que existiram.

domingo, 19 de setembro de 2010

Recíproca.

Disse que precisava de um tempo, virou as costas e saiu, batendo a porta. Sentei no canto do tapete empoeirado e acendi um cigarro. A cortina estava entreaberta, enquanto as palavras ecoavam em minha cabeça, eu sentia o sol que passava pela pequena fresta. Os carros lá embaixo, as pessoas cruzando a rua correndo. Todas pareciam tão felizes com a mesmice de sua vida. E as palavras ainda ecoando...Infelizmente a recíproca não era verdadeira.
Da última vez que ele fez isso, voltou cinco minutos depois. Mas já haviam se passado dez, e a porta ainda estava fechada. Sentia medo de trancá-la. E se ele resolvesse voltar no meio da noite? A chave dele estava jogada no chão perto do meu pé. Ah, como eu adoro me iludir. Ele não iria voltar mais.
Daquela vez havia sido diferente. Eu via a angústia nos olhos dele gritando comigo. Repetia e repetia "Não adianta insistir numa coisa que não dá!", enquanto eu repetia que o amava. Cada vez que eu falava ele ficava mais nervoso, decidi me calar e ficar olhando para seu rosto. Erro meu. A expressão odiosa não saiu mais da minha cabeça. E é claro, meus olhos foram ficando úmidos novamente.
Ele havia mentido que precisava de mim. Até seus olhos me enganaram desta vez. Não queria deixar ele sair, queria abraçá-lo e entender o que estava acontecendo. Ele me empurrou e tornou a gritar. Tapei os ouvidos com as mãos e mandei ele ir embora, se era o que tanto desejava. Voltando então as palavras ja citadas, a porta se bateu.
E talvez tenha sido melhor mesmo, talvez eu prefira ficar sozinha do que enganando a mim mesma. Palavras vazias eu dispenso.

i like the way it hurts

Ainda ouço tuas palavras distantes, e a tua respiração ofegante no meu pescoço. Quisera eu poder esquecer do teu olhar, maldito olhar. Tão devastador quanto a influência que tuas palavras tem sobre mim, tão devastador quanto o teu próprio ser.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A guerra dos sexos. (Crônica de Português)

Significado de preconceito de acordo com o dicionário:"Forma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado. O preconceito existe em relação a quase tudo e varia em intensidade da distorção moderada a um erro total."

Sim, eu cito o preconceito porque todo e qualquer tipo de atrito entre os sexos vem daí. Todos vivem batendo em uma mesma tecla de 'mundo moderno', século XXI e "as coisas não são mais como eram antigamente", mas na verdade, no subconsciente continua tudo quase igual. Tanto as mulheres quanto os homens continuam com a mesma visão que tem do sexo oposto. Homem que pega várias é o cara, mulher que pega muitos é galinha. Homens são todos mentirosos, traidores e precisam ter voz mais ativa no relacionamento. Mulheres devem ser submissas, casar e ter filhos para atingirem a felicidade plena.
Pode ter acontecido uma grande mudança na forma de pensar, mas o que percebo tantas vezes é que no final das contas sempre voltamos a estaca zero. Hoje em dia o que muitos não perceberam ainda, é que as mulheres estão bastante masculinizadas, e eu digo isso no sentido de decisões que tomam em relação a seus parceiros. Muitas já não querem mais aquela vida clichê de casar e ter filhos. Muitas já não tem mais a grande necessidade de formar uma família para serem felizes, nem todas desejam apenas um parceiro sexual, nem querem aquele maldito príncipe que nunca chega. Já se conformaram, entenderam finalmente que nem todo livro, novela ou filme retrata o futuro de cada uma.
E quanto aos homens... Bem, os homens também estão se dando conta de que o sexo feminino não é assim tão bobo. Pode parecer que estou me contradizendo em relação ao que disse antes, mas não. Eu digo isso porque, querendo ou não, os dois sexos continuam pensando da mesma forma, mesmo agindo de forma diferente. E eu como mulher, muitas vezes sinto pena de alguns homens pelo fato de eles estarem se perdendo nessa mudança de hábitos que está acontecendo principalmente no sexo feminino.
Tanto as mulheres quanto os homens precisam dar um jeitinho de se render ao novo com cautela, para evitar a geração de conflitos que podem vir a surgir futuramente. As mudanças vão continuar ocorrendo e o que precisamos é saber usufruir com cautela da liberdade de expressão que nos é proporcionada. Homens e mulheres podem sim viver em paz entre si, longe de preconceitos e comentários maldosos que sempre acabam saindo sobre o sexo oposto. Afinal, como todos sabem... Um não vive sem o outro.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Um café e um amor.

Não costumo apagar nada do que escrevo. Normalmente deixo em algum lugar até o que não me agrada. Afinal, são sentimentos que coloco no papel. Muitas vezes antes de dormir surgem na cabeça mil idéias, mil histórias. Mas nem sempre tenho a vontade de levantar da cama quentinha para transcrever meus devaneios, e no outro dia, a história se perde. Só que esta... Esta eu tinha de contar!
Ele acordou cedo naquela manhã. Acendeu um cigarro e tomou um copo de vinho. Era um cara reservado. Não muito alto, moreno, olhos claros. Também não tinha lá muitos amigos, quem dirá namoradas. Gostava de ler clássicos e ouvir boas músicas, e não era muito de conversar.
Havia ido a um bar na noite anterior. Lugar calmo, escuro. Tomou alguns drinks e se limitou a pensar. Olhando fixamente para frente, sem prestar atenção no que acontecia ao redor. De repente, uma mulher se aproximou. Loira, alta, olhos castanhos. Roupa preta e vermelha.
-Posso sentar aqui? perguntou ela- os outros lugares etão vazios...
Ele não respondeu, só conseguia olhar para aqueles olhos.
-Ei, moço? Esta tudo bem?
-Err... está sim. Pode sentar.- disse ele gaguejando.
Ela acendeu um cigarro,sentou-se na frente dele e começou a conversar, como se o conhecesse a anos. No início, ele estranhou, mas quando se deu por conta já estava ali, tagarelando junto com ela. Mesmo gosto musical, mesmo gosto por livros, mesmo tudo... A tempos não encontrava alguém assim, tão parecido com ele.
Aí está, ele finalmente se pegou pensando em alguém. Decidiu dar uma caminhada para não se agoniar com seus pensamentos. Desceu as escadas e andou rua a fora. Caminhava olhando para seus pés, pois não gostava de olhar muito para as pessoas. De repente, esbarrou em alguém. Levantando a cabeça, acabou por encontrar cabelos que o vento bagunçava; levantando devagar, encontrou seus olhos. Era ela. Não conseguiu se conter e sorriu. Cumprimentou sem jeito, e a convidou para um café. Depois de muito conversarem, decidiram ver um filme. Ele levou-a para sua casa, encontrou um filme antigo que ambos gostavam, pegou uma garrafa de vinho e sentou ao lado dela. Quando olhava para o lado podia perceber os lábios carnudos daquela moça pedindo para serem beijados. Ao se mordiscar discretamente, ao acariciar sua mão, ao sorrir. Seus rostos foram se juntando, e os lábios se entrelaçaram em um beijo doce, quente. Parecia que ambos eram duas criaturas em busca de uma presa, o calor do corpo de cada um saltava de dentro pelo movimento das mãos.
Apesar do dia frio na rua, naquela sala tudo parecia fogo. Tirar uma por uma das peças de roupa foi inevitável. O fizeram então, lentamente. Cobrindo-se de beijos e carícias em intervalos curtos de tempo. Os dois corpos se entrelaçavam com perfeição, os movimentos estavam em perfeita sintonia, como se cada um soubesse exatamente o que o outro queria. Amaram-se como jamais haviam amado alguém antes. Gemidos ofegantes ultrapassavam as finas paredes. Os corpos estavam suados,insistindo em pressionar-se um sobre o outro, traziam sensações que nenhum dois dois havia sentido antes.
No final da tarde, ela vestia sua roupa. Ele a olhava delicadamente e percebia que aquele corpo era o que ele precisava para se sentir feliz novamente. Convidou-a para ficar, mas ela disse que não. Pediu então para se encontrarem novamente, ela respondeu que estaria saindo da cidade no dia seguinte. Se despediu, vestiu o casaco, agradeceu e saiu pela porta.
Ele ficou observando ela ir embora, pensativo. Respirou fundo e sorriu. Sabia que sentiria falta dela, mas teria que seguir em frente. Voltaria a levar a mesma vida de sempre, afinal. Foram apenas dois dias. Dois dias que ele não iria esquecer. Fez mais uma xícara de café e acendeu outro cigarro. Sentou-se na velha poltrona e riu sozinho. Estava feliz de qualquer forma, e a solidão que contemplava os seus dias passou a ser bem vinda desde então. Alguns olhares cruzam o nosso e vão embora em seguida. A vida tem dessas coisas, idas e vindas. É preciso aceitar para seguir, e aprender a ser feliz sozinho, como o moço da história aprendeu.

Suppose.

Tenho escutado bastante Secondhand Serenade nos últimos dias, em especial a música Suppose, em português, Suponha. É uma banda que eu indico a todos, tem letras lindas e um ritmo contagiante.
And my eyes are screaming for the sight of you
And tonight I'm dreaming of all the things that we've been through
And I can't hold on to you.
So I guess I feel lonely, too.
Slow way down, this break down's eating me alive.
And I'm tired, this fight is fighting to survive.
Tell me a secret, (I want it), tell me a story, (I need it)
I'll listen attentively, I'll stay awake all night.
Allow me to whisper (so softly)There's nothing I did mean (please help me)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Happy B'day, sobumceudeblues !

Um ano de blog... ora, quem diria? Jamais pensei que fosse conseguir finalmente manter algo assim por tanto tempo. Mas aqui estou eu, postando exatamente um ano depois do início da minha vida blogueira, aniversariando virtualmente. Tantas coisas foram acontecendo, mudando, me encantando, me fazendo bem e mau. E eu devo agradecer a minha vida, sendo ela boa ou ruim, por estar aqui desde 22 de julho de 2009. Tudo que aqui postei faz parte de mim, do que fui, do que sou. Cada letra, cada citação... Tudo.
É o meu mundo mais detalhado do que qualquer pessoa possa imaginar. Mais do que eu mesma poderia imaginar. Espero continuar escrevendo por muito tempo, e ainda estar aqui no próximo ano, me renovando sempre, e escrevendo cada vez mais.

Obrigada a todos os seguidores, aos que comentam, aos que só lêem, ao pessoal da comunidade do orkut, aos que me mandam recados... A todos, minha eterna gratidão pelos elogios e críticas que fazem com que eu melhore a cada dia.
Beijões e continuem acompanhando =)

domingo, 18 de julho de 2010

Gelo e fogo.

Gelo e fogo. Sim, és totalmente extremo. Gelo quando fala, quando está sério, quando briga, quando acha que é meu pai e reclama por eu beber demais. Acha que eu sou louca demais, que falo demais. E fique sabendo que também acho isso de você, senhor extremista. Tuas palavras tocam em mim como um cubo de gelo, tuas poucas palavras, tuas divinas expressões.
Fogo quando me toca. Quando deixa tuas mãos percorrerem o meu corpo devagar, descobrindo cada parte do que eu sou. Fogo quando sussura em meu ouvido, quando me provoca, quando me olha. Fogo quando respira perto de mim, quando me abraça. Gelo... a parte gelada desta bagunça devo ser eu mesma. A parte que sempre encontra um motivo pra fugir, pra se esconder. Gelo. Mas só consigo ser eu mesma, assim, fria, quando estou contigo. Porque acendes em mim algo que nem eu mesma havia descoberto antes.
Ei, dono da minha raiva, da minha agonia, da minha confusão... você deve saber que é o causador de tudo isto. Com esse jeito tranquilo, com esses lábios ardentes que chamam pelos meus a cada vez que olho para você. É sim, dono dos meus medos, dono de mim. Droga.
Gelo e fogo. Sabes ser as duas coisas tanto quanto eu. Me fazendo apreciar cada parte do que és. Sendo este sentimento recíproco ou não, continuarás sendo para mim gelo e fogo. Toma cuidado, as duas coisas queimam.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

13.07 Dia Mundial do Rock

Dia de sair as ruas com sua calça jeans surradas e seu bom e velho all star. De ligar o som a todo o volume e comemorar. Dude, é o dia mundial do Rock'n'Roll! O ápice do cenário musical. Quem nunca ouviu falar de Beatles, Iron Maiden, Nirvana, Guns'n'Roses, Kiss, Aerosmith, Pantera e seus incríveis derivados?
É dia de tomar um trago sem gelo e deixar a música de verdade invadir seus ouvidos. Sentir cada batida, vibrar junto com as cordas das guitarras. Pular o mais alto que puder, deixar o cabelo bagunçado.
Porque até hoje nenhum poeta conseguiu descrever a sensação de ouvir uma boa música, de sentir o som que adentra e toma todo o seu corpo. É, aos que gostam de outros estilos de música, meus pêsames. Pois nenhum som jamais vai se igualar ao bom e velho Rock.

Vida longa ao rock'n'roll, yey!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

É só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto.

Novembro de 2009. O céu escuro e sem estrelas, a noite não tão fria. Todos os alunos da escola estavam com suas roupas novas, e suas garrafas de bebidas preparando-se para a festa que viria a seguir. Escolha da Rainha, lembro bem do ambiente. Não muito grande, apenas algumas mesas, uma pista de dança e um pequeno palco. As luzes já estavam apagadas. A música alta impedia que eu ouvisse o que me falavam. Encontrei uma amiga com a qual não conversava a um bom tempo. Júlia, era o nome dela. Melhores amigas desde o primeiro ano do Ensino Médio, sabiamos tudo uma sobre a outra. Por motivos que não são necessários citar, deixamos de nos falar por um tempo. Sem brigas e maiores reclamações, apenas não nos falamos mais.
Mas voltando a festa, encontrei ela no bar do local. Ela me abraçou entusiasmada, não entendo até hoje o porque, e disse sorrindo:
- Que saudade! Agente precisa conversar... Sinto falta de você...
- Eu também, respondi. Agente se fala fora da festa, amanhã ou depois. - Me despedi e saí com minha bebida.
Quando estava voltando ao bar, lá estava ele. Daniel. Meu corpo gelou. Logo a sua frente estava Júlia. Parei, olhei assustada. Ela bebeu um gole da cerveja dele, beijaram-se. Respirei fundo e virei as costas prometendo a mim mesma que não choraria. Sentei em uma mesa perto da pista de dança. Bebi. Não demorou muito para outro amigo chegar e falar comigo. Na época ele dizia gostar de mim.
- Eu já vi, disse ele. Também já falei com ele. Acorda, ele não te quer.
Sorri para ele e fui até o banheiro pensando 'Como se eu já não soubesse'. Tudo passava rápido na minha cabeça, como um filme acelerado. Os momentos em que eu conversava com ela, dizia como me sentia em relação a Daniel, para ouvir ela dizer que sentia saudade e beijar ele dois minutos depois. Aquele maldito Daniel e seus cabelos castanhos. O casaco de couro surrado e a calça jeans escura. O beijo. Entrei no banheiro, respirando ofegante. Sentei em um dos boxes, fechei a porta. Baixei a cabeça. Podia sentir minhas lágrimas tomando forma e caindo dos meus olhos. Por um instante eu fiquei ali, remoendo as coisas, me culpando e reclamando da vida. Até chegarem algumas amigas e me convencerem a voltar para a festa.
Decidi que precisava mesmo me recompor. Bebi algumas doses e fui dançar. Já eram quase quatro eu e um grupo de umas dez pessoas decidimos ir para o apartamento de um colega, por infortúnio do destino, era o apartamento de Daniel também.
Ao chegar, peguei uma cerveja e me encostei na janela. Como de costume, olhando para o céu e observando as estrelas. Lembrando da antiga história das 380 estrelas das quais ele havia me falado em nossa última conversa. Eu tentava fingir que ele não estava ali, mas era bastante difícil. De qualquer forma, me diverti. Não trocamos nenhuma palavra, apenas alguns olhares. Já estava indo embora, fuui a última a sair do quarto, quando ele me puxou pelo braço.
- Fica mais um pouco. - disse ele, me olhando.
- Me dá um bom motivo. - falei, séria.
- Eu tô aqui...
- Preciso ir embora, já tá tarde. - me afastei, fazendo com que ele largasse meu braço.
- Fica por favor.
Olhei para ele, sorri e saí pela porta. Desci as escadas do prédio, transtornada com a cena dele e de Júlia se beijando algumas horas atrás. Cheguei na entrada. Pensei por alguns instantes. Pedi a chave a um amigo e voltei correndo. Quando cheguei na sala, ele estava saindo do banheiro. Ao notar minha presença, me olhou, espantado. Me aproximei depressa, irritada.
- Qual é o teu problema? - eu disse.
- O que? Não to entendendo.
- Sabe que eu gosto de ti, sabe muito bem. Beijou a minha 'melhor amiga' na minha frente, e depois me pede pra ficar. Repito, qual é o teu problema?
- Problema nenhum... eu nem te vi naquela festa, loca. - maldito costume que ele tem de me chamar de 'loca'.
- Sou pequena, né? - debochei.
- Não to te entendendo, tu vai embora depois volta....
Peguei uma cerveja que estava em cima da cômoda improvisada no meio da sala, sentei no sofá, bebi, respirei fundo e disse olhando para ele:
- Eu queria ficar perto de ti. Sentir teu cheiro, te abraçar. - baixei a cabeça, mordendo o lábio.
- Vem aqui, disse ele me puxando pela mão e me levando até o quarto. Sentei na cama, ele estava só de bermunda, em pé na minha frente.
- Eu tô aqui, ta vendo? Faz o que quiser comigo. Eu sou teu, tu sabe.
- Não sei de nada não.
- Tem dez segundos, vou começar a contar. Tu pode chegar perto de mim e fazer o que quiser, ou sair pela porta.
Como o quarto estava escuro, apenas a luzinha que vinha da fresta da porta brilhava.
- Um, dois, três, quatro..., quando vi ele já estava ali, contando os segundos.
Respirei o mais fundo possível, levantei, abracei ele pela cintura e o beijei.
Nunca havia beijado alguém com tanta vontade antes, nunca havia desejado tanto sentir o gosto que a outra pessoa teria. Foi um beijo longo, calmo, tão bonito quanto os anteriores. Parei de beijá-lo e olhei em seus olhos, que finalmente estavam olhando para mim de verdade, ele sorriu e disse:
- Era isso que eu queria que acontecesse.

domingo, 27 de junho de 2010

Sonho acordada.

Primavera. A grama verde do campo, o ar fresco. Ao ar livre, deito delicadamente em cima do pano estendido no chão. Olhando para o céu, finalmente posso ver as pequenas luzes brilhando distantes. Senti falta das estrelas todo esse tempo. Por mais escuro que esteja, posso me guiar através delas.
Respiro fundo e sorrio. Pela primeira vez em tanto tempo estou em paz. Sinto a respiração tranquila que acompanha a minha, olho para o lado, mas o espaço está vazio. É que dentro de mim ainda estás aqui. Talvez o tempo em que pude senti-lo tenha sido tão pouco que comecei a imaginar coisas.
Definitivamente isso tem virado paranóia. Eu particularmente não me importo muito, contanto que possa senti-lo. Que seja platônico então, que eu fique aqui sonhando acordada esperando que estejas aqui, tendo a ridícula certeza de que estás mesmo aqui, que eu me iluda sozinha sem precisar de ti para isso, desde que eu possa te amar.
Contanto que todos os sonhos sejam calmos e tranquilos como esse, não me importo de ter que acordar todas as manhãs e perceber que foi um sonho.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Salvo em rascunhos.

Se o futuro é escrito certo por linhas tortas, devo ser uma caderneta de rabiscos. No qual se encontram todas as rasuras já escritas. O sentimento de fracasso é a pior dor, a vontade de tentar vai escapando por entre os dedos. É inútil derramar uma lágrima sequer. É inútil ouvir as palavras ao redor quando dentro de mim, nada muda. Eu sei que devia começar por mim, sei que todas as broncas são verdade, sei que ninguém vai jamais saber como é sentir o que eu sinto. Mas me deixem por favor chorar.
É o máximo que eu posso fazer além de tentar, além de dar meu máximo. Me deixem gritar e não se irritem. Eu preciso tirar de dentro de mim essa dor que persegue todo o tempo, vinte e quatro horas do meu dia. Preciso esquecer, e não é fácil. Preciso deixar pra trás e seguir em frente. Eu sei tudo isso. Não quero pena, não quero que ninguém se coloque no meu lugar. Só quero poder me irritar, reclamar, ser pessimista (porque o otimismo não me levou a lugar algum). Quero poder desistir sem tentar, porque me parece tão mais fácil...
Quero poder olhar nos olhos das outras pessoas e não sentir nojo, olhar para mim mesma e estar satisfeita. Olhar para o céu e ver mil estrelas. Ohar para os lados e encontrar alguém... Eu quero tantas coisas. Mas querer não significa poder, e quem não faz não recebe.
Salvo em rascunhos as palavras que eu queria gritar, as lágrimas que eu preciso derramar, a angústia de me sentir assim, a vontade de roubar aqueles olhos castanhos pra mim. Salvo em rascunhos tudo o que sou, o que quero ser e principalmente, os desejos que percorrem meu pensamento e meus sonhos dia após dia.

sábado, 12 de junho de 2010

Aqueles olhos.

"Dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos... Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me."

Dom Casmurro - Machado de Assis

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Chuck.

Meu rato esta dormindo no meu bolso agora. A paz que esse pequeno bichinho me traz é inexplicável. 'É só um maltido rato', 'Que nojo!' é o que todo mundo ou a maioria das pessoas diz sobre ele. Mas é lindo sabe? Os pelos branquinhos, as patinhas minúsculas, os olhos vermelhos... ele é lindo. Quando largo ele no chão para correr por aí, vem até mim. Pede carinho esfregando sua pequena cabeça na minha mão, se aninha na minha nuca no emaranhado de cabelos e dorme. Eu posso ouvir ele respirar bem no meu ouvido, calmo, sereno. Quando acorda coloca as patinhas pra frente e boceja, só consigo olhar e sorrir. É tão lindo vê-lo acordar. Quando faz aquele rangido pidão com os dentes, quando corre e parece um coelho em miniatura pulando, eu me encanto.
É só um rato, eu sei. Mas não é nojento. Minha ligação com ele é tão forte que eu preciso chegar em casa e pegá-lo no colo, fazer carinho e sentir ele bem pertinho de mim. É só um rato, mas eu o amo.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Chá de morango.

Escuto a chaleira gritar. Levanto da velha poltrona, sem vontade. Desligo o fogão. Xícara, saquinho de chá de morango, bastante açúcar. Encho o recipiente com água fervente. Volto a me sentar. Olho pela janela. Céu escuro e sem estrelas. Noite fria. Pele fria. Meus cabelos desgrenhados são o reflexo da solidão de domingo. O pijama surrado e a pantufa rasgada só confirmam a ausência de alegria em minha face.
O cômodo vazio é um espelho de todo o meu corpo. Uma vez quando ficava sozinha, pensava em tantas coisas. Agora já não consigo mais. Simplesmente não dá. À medida em que a lua se aproxima e o céu se fecha, minha alma se fecha também. A solidão toma conta de mim e não restam motivos para seguir respirando.
Nem triste, nem feliz. Nada. Simplesmente nada. Só vazio. Amo tanto as estrelas. Mas nem essas tem aparecido para me fazer companhia de uns tempos pra cá. Nos meus pensamentos só uma imagem. A velha imagem. Os traços borrados, os sorriso apagado e o olhar distante. Lembranças de um tempo tão distante.
Estou tão distante de mim mesma quanto o céu está das águas do mar. Um além impossível de ultrapassar. Quero me encontrar em mim novamente. Achar o eu que se perdeu. Tomo o último gole de chá, despejo água na xícara e a deixo sobre a pia. Vou deitar. Nada mudou de ontem pra cá. Mais um dia vivido em vão.

Colei na geladeira pra você lembrar de mim.

Tristes estavam minhas feições ao te encotrar naquela noite, aquela noite triste na qual todo o meu mundo desmoronava. Eu estava caindo e sangrando, mas lá estava você. Segurando minhas mãos sem me deixar cair, me fazendo levantar a cabeça e seguir.
As vezes, muitas vezes, quando eu olho ao redor e vejo que nada restou, eu posso te enxergar. Teus olhos que parecem brilhar e refletir em mim, trazendo todo o teu calor. Esse calor que eu quero sentir agora. E sentada aqui,sozinha, eu fico pensando em como eu queria que estivesses aqui, agora.
Só para eu poder encher teus ouvidos de conversinhas banais, falar pelos cotovelos até que tu me mandasse calar a boca. Tu deve saber que eu não calaria não,sou chata demais! Agora ou tu some, ou me aguenta. Sou egoísta, só penso em mim.
Mentira! Penso muito mais em você do que em mim. Penso muito mais nas lembranças boas que rodeiam os meus dias quando estas presente. Sempre lembranças boas. Lembranças que eu não vou e nem quero esquecer.
Segue comigo o desejo de triplicar estas lembranças.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O silêncio...


"O silêncio não é tão ruim. Até eu olhar para as minhas mãos e me sentir triste. Porque os espaços entre os meus dedos, são bem aonde os seus se encaixariam perfeitamente."

Li em uma comunidade e gostei. :)

domingo, 23 de maio de 2010

Gorete quer ser Gisele.

Não é costume meu assistir ao programa Pânico na Tv, que passa na RedeTv todas as sextas e domingos a noite. Já tem algum tempo que presto atenção no quadro 'Gorete quer ser Gisele'. Não fico feliz com o que vejo. A imagem de Paula Veludo, como foi reconhecida pelo Brasil inteiro já tem alguns meses, foi friamente escandalizada. Não tenho nada contra o programa, com frequencia me pego dando risada às custas das piadinhas imperdíveis que dali surgem, porém, a extrema valorização da aparência me desconcerta um pouco.
Nunca fui extremamente linda, nem extremamente magra, nem cheguei perto de ser uma modelo de capa de revista. Não mesmo. Me culpei por não estar dentro dos padrões durante muito tempo. Mas sabe o que percebi? Que eu gosto de mim do jeito que eu sou, que essas gordurinhas a mais não me fazem mau algum. Que meu cabelo não é o mais bonito do mundo, mas é meu. São as pessoas que se sentem incomodadas por eu ser assim. Quem já me chamou de gorda em praça pública, quem veio me chamar de feia em recadinho de orkut... essas são as pessoas que fazem questão de se sentir incomodadas por eu não ser protótipo. O problema com meu corpo e minha aparência está é nos outros, pois a mim não afeta. Estou bem comigo mesma exatamente como me olho no espelho. Tenho plena consciência de que beleza e corpo sarado não é tudo, e que tenho tantas coisas que se sobressaem em mim além de uma foto bonita.
O que me faz escrever sobre isto é a indignação com os comentários mostrados em rede nacional. Nos 'making offs' do quadro 'Gorete quer ser Gisele' os apresentadores se enxeram de si para chamá-la de feia, repetiram constantemente que ela nunca ficaria bonita, riram, fizeram tantas piadinhas sem graça - lembrando também dos quadros feitos na praia, do ridículo 'Vou, Não vou', nos quais a verdadeira beleza da mulher é jogada fora e trocada por bundas semi nuas - aí está, a quem nunca acreditou... Gorete não tem nada de Gisele, nem mesmo depois da transformação, mas não precisa ser igual a Gisele para ser linda.
Beleza é tão superficial, tão relativa. A verdadeira beleza não está nesses quadros mostrados no programa, e sim dentro da pessoa. Como li em algum lugar, se termina em questão de segundos, em uma conversa monótona. A beleza só é tudo para quem enxerga ao redor e nada vê. No momento em que Gorete apareceu no palco, todos ficaram de boca aberta. Engulam então os comentários. É só o que posso dizer.
Outra coisa que me deixou possessa foi o comentário: 'Você agora tem dignidade'. Com o perdão da palavra, puta que pariu! Ninguém precisa ter um rosto lindo e um corpo escultural para ser digno. No programa o apresentador Emílio disse para procurar no google, procurei então.

Dignidade:

A dignidade é a palavra que define uma linha de honestidade e ações corretas baseadas na justiça e nos direitos humanos, construída através dos anos criando uma reputação moral favorável ao indivíduo. Respeitando todos os códigos de ética e cidadania e nunca transgredindo-os, ferindo a moral e os direitos de outras pessoas.
Ser digno é obter merecimento ético por ações pautadas na justiça, honradez e na honestidade.

Agora me digam onde a aparência de alguém se encaixa nesta descrição... I google it, men! Bonita ou feia, a dignidade se constrói em cima de um caráter, longe de descrições físicas. Acho que quem devia ter pesquisado era o apresentador, antes de falar uma besteira dessas. As pessoas são dignas independente de como se parecem. Sendo assim, deveríamos dar muito mais valor às ações antes de ver qualquer graça em quadros humorísticos tão banais... Com ou sem dentes, Gorete sempre foi uma pessoa bonita, simples e humilde. Muito mais digna do que muita gente estereotipada que se vê por aí. Beleza não é fundamental!

- e só para constar... até entendo que sem dentes e com a aparência anterior ela não conseguiria emprego e nem um bom lugar na sociedade. Ele pode ter se referito à dignidade em outro sentido, como em 'socializar' com o resto. Mas isso só acontece porque deixamos que seja assim.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Os perigos de cada um.

Um mosquito que vai ao teatro e precisa tomar cuidado com as palmas. Uma piadinha boba, mas que tras consigo a pergunta: "E o seu perigo, qual é?". Acho que somos todos pequenos mosquitinhos, correndo pelo mundo com medo de olhar para os lados e receber uma bofetada da vida. A palavra perigo acende os medos que existem dentro de mim. São tantos.
Medo de água, medo da morte, medo de pombas, medo de não alcançar meus objetivos, medo de chegar aos vinte sem ter concluído o ensino médio.... Muitos medos que trazem consigo os perigos. Acho que eu sou um perigo para mim mesma. Sou sim. Definitivamente não aceito de forma alguma não alcançar meus objetivos. Quando alguma coisa sai errada, é como se uma parte de mim fosse destruída. Isso me lembra o fato de que já vão fazer quatro anos que estou no Ensino Médio, o que é um verdadeiro perigo aos professores e colegas, já que todos são obrigados a aturar o meu eu revoltado. Por ser um perigo ao natural, encarar o que me vem pela frente sem medo algum, me torno inofensiva aos que me rodeiam. Não sou capaz de agredir alguém sem ser com palavras. Aí esta o perigo de ser inofensiva fisicamente. Muitas vezes não meço o poder que tem uma palavra e ela sai de dentro de mim como se fosse uma pedra atirada no meio do peito. Mas sou eu que fico sem ar.
Tenho mania de me consumir pensando demais em tudo. Me preocupando demais. O maior perigo que existe em mim e para mim é o amor. O amor de todas as formas possiveis de existência vem destruindo cada pedaço que resta de mim. Me entrego demais. Amo demais. E quando eu falo amor não é essa histórinha clichê de namoradinho que não me ama. Eu falo em amor de verdade. A começar pelo amor paterno. Nunca recebi volta em relação ao amor que sinto pelo meu pai. Em dez anos, ele esteve presente no máximo quatro vezes em minha vida. Tenho medo de perde-lo e não lembrar de seu rosto, sua voz, seu cheiro... Sinto falta.
O amor é um perigo porque a visão tão perfeccionista que temos em relação a ele nunca é real. O que significa que livros e filmes não vão ser parte de nossa história. As coisas não vão se repetir. Nem todos teremos sorte. Não é um grande perigo viver de ilusão?
Viver em um mundo só seu. No qual não existe mais nada além de pensamentos tristes e palavras vazias. Um mundo onde as promessas não valem nada pelo fato de que fui ensinada pela vida a não criar expectativas e a não acreditar. É um perigo, um grande perigo viver só.
Sentir que o quarto está sempre escuro e que só as paredes tem o poder de entender. É um perigo se tornar alguém como eu. Alguém que tem expectativas mas desacredita tanto em tudo. Mas todas as vezes em que me sinto bem, percebo que termino igual. Sentada em uma cadeira, num quarto vazio, ouvindo uma música triste e pedindo por tudo que há de mais sagrado um sorriso que seja verdadeiro, uma palavra de conforto e o final de todos esses perigos que me rodeiam.